Presidente da Infraero garante que pista não provocou acidente

Para José Carlos Pereira, condições eram perfeitas e 'aconteceu alguma coisa errada no pouso'

Paulo R. Zulino, do estadao.com.br,

19 de julho de 2007 | 10h46

O presidente da Infraero, o brigadeiro José Carlos  Pereira, descartou totalmente a possibilidade de o acidente envolvendo o Airbus A-320, da TAM, ter ocorrido por causa de problemas na pista principal do Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo.  Na primeira e rápida entrevista coletiva à imprensa desde o acidente, concedida na manhã desta quinta-feira, 19, em Congonhas, ele garantiu que a pista principal do aeroporto foi entregue em perfeitas condições.  Ele afirmou que os controladores de vôo do aeroporto  informaram que o avião "tocou a pista na velocidade correta e no ponto certo". Veja também: Para presidente da Infraero, arremeter é manobra normal Não é o momento de posições radicais, diz presidente da Infraero Quem são as vítimas do vôo 3054 O local do acidente Opine: o que deve ser feito com Congonhas? As histórias das vítimas da tragédia Corpos identificados Os acidentes mais graves da aviação brasileira Cronologia da crise aérea Conheça o Airbus A320 A repercussão da tragédia no mundo Assista a vídeos feitos no local do acidente Conte o que você viu e o que você sabe  Galeria de fotos  Tudo sobre o acidente da TAM  Para Pereira, é provável que tenha ocorrido um problema no momento do pouso. "Aconteceu alguma coisa errada no pouso. O avião, por alguma razão, não perdeu velocidade. Alguma coisa aconteceu e o piloto, sei lá porque, acelerou a aeronave",  falou. "No caso do automóvel, se você está vindo em velocidade e deixa de acelerar, ele vai se movimentando, desacelerando, até o momento em que acaba parando de vez. A caixa-preta poderá explicar o que aconteceu". "Eu entendo perfeitamente a posição do Ministério Público, como entendo a posição de outras pessoas que pedem uma liberação até maior do aeroporto. Mas acho que a verdade não está nem em um lado, nem no outro. Não se pode ser radical, não se pode ser fundamentalista nessas horas", afirmou. Ele citou que decisão da Infraero, da Anac e da Aeronáutica para a realização de reformas nas pistas foi correta, bem como a interdição do aeroporto e o desvio de vôos para Guarulhos em momentos de chuva forte. "Hoje essa geometria foi corrigida. Poças de água não existem mais em nenhuma das pistas. Quando as ranhuras estiverem prontas, não é nem chuva comum, mas aguaceiros que serão eliminados", garantiu. Pereira assegurou, por outro lado, que a falta do grooving - ranhuras que evitam o acúmulo de água na pista - nada tem a ver com o acidente com o avião da TAM. Segundo ele, somente quatro aeroportos do País possuem essas ranhuras porque, em muitos casos, elas não são necessárias. "Poucos aeroportos têm ranhuras, que servem para a drenar a água acumulada na pista, mas elas não têm nada a ver com esse caso. O problema não é a ranhura. A pista principal de Congonhas está em perfeitas condições, qualquer aeronave pode pousar sem problemas. O grooving não ajudaria a parar o avião",  garantiu. Por outro lado, o presidente da Infraero confirmou que o grooving começará a ser colocado em Congonhas a partir do próximo dia 25. Para o presidente, agora é a hora de deixar de lado "radicalismos". "Não é o momento de posições radicais, não podemos ser fundamentalistas. Precisamos encontrar um meio termo. Como é que vamos fazer com os milhões de passageiros que dependem do aeroporto?", afirmou. O Ministério Público Federal  (MPF) requereu, liminarmente, a suspensão imediata de todas as atividades em Congonhas, exigindo a interrupção dos pousos e decolagens  nas pistas principal e auxiliar até a conclusão das investigações do acidente. O pedido foi protocolado na quarta-feira na Justiça Federal de São Paulo.  O brigadeiro lembrou ainda que a responsabilidade das investigações cabe à polícia e aos órgãos competentes. "A Infraero apenas administra os aeroportos. Não cabe a ela investigar a responsabilidade sobre acidentes". Ele adimitiu que há um uso excessivo do aeroporto e entende que a redução do tráfego aéreo, entre outras medidas, é importante.  José Carlos Pereira informou que a perícia sobre o acidente com o Airbus 320 da TAM deve durar 30 dias. No entanto, esse prazo poderá ser prorrogado. (Com Anne Warth) 

Mais conteúdo sobre:
vôo 3054

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.