Presidente da Câmara sai em defesa de judoca

Para José Américo (PT), Casa não deve 'pré-julgar' o vereador Aurélio Miguel

DIEGO ZANCHETTA, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2013 | 02h06

Aliado e "amigo pessoal" do vereador Aurélio Miguel (PR), o presidente da Câmara Municipal de São Paulo, José Américo (PT), saiu ontem em defesa do judoca. Ele afirmou que os parlamentares não devem abrir qualquer investigação para apurar possíveis crimes de corrupção cometidos por Miguel durante a CPI do IPTU, em 2009. "Eu acredito completamente na inocência do Aurélio. É meu amigo pessoal. Ele incomodou muita gente. A Câmara não tem de fazer prejulgamento de ninguém", argumentou o presidente, um dia após o corregedor do Legislativo, Rubens Calvo (PMDB), defender a abertura de investigação, com o aval do prefeito Fernando Haddad (PT).

A fala do presidente petista, aliado de Aurélio na gestão da Mesa Diretora da Casa entre 2006 e 2010, quebrou o isolamento do vereador, acusado pelo Ministério Público Estadual de usar a CPI do IPTU para achacar donos de shoppings. O judoca teria recebido pelo menos R$ 1,1 milhão em propina para omitir irregularidades de cinco empreendimentos do Grupo Brookfield. O judoca, que nega as acusações, e o atual presidente atuavam juntos no "centrão" - bloco político que comandou o Legislativo entre 2006 e 2010.

Miguel comandava as CPIs da Casa e Américo era o responsável por cuidar à época dos contratos de comunicação e da TV Câmara, de R$ 17 milhões. A defesa de Américo em favor do judoca foi uma exigência do atual senador suplente de Marta Suplicy (PT), Antonio Carlos Rodrigues (PR), padrinho político de Miguel, segundo apurou a reportagem. Ele pediu que o presidente e outros antigos apoiadores do "centrão" socorressem o judoca do isolamento político. O "recado" teve resultado imediato.

O ex-presidente e vereador mais votado de São Paulo, Roberto Trípoli (PV), um dos expoentes do "centrão", também saiu em defesa do antigo aliado. Trípoli foi nomeado para compor a corregedoria e deve votar contra a abertura de investigação. "O MP já está avançado na investigação, não tem muito o que ser feito aqui na Câmara", declarou. Outro nome indicado para compor a corregedoria foi o de Adilson Amadeu (PTB), que era o principal aliado de Miguel na CPI do IPTU. O próprio Amadeu terá de depor no Ministério Público na próxima semana.

Logo após a fala de Américo a favor de Miguel, o ex-presidente Police Neto (PSD), também nomeado para integrar a corregedoria, defendeu a abertura imediata de um inquérito administrativo para investigar o judoca. "O Ministério Público já encerrou sua investigação, não temos motivos para esperar. A investigação é uma oportunidade de a Casa mostrar como são os procedimentos dentro de uma CPI", disse Police Neto. O corregedor Calvo também voltou a defender a investigação. Outros integrantes da base governista e da bancada do PT apoiam a investigação.

As denúncias contra Miguel inviabilizaram o início da análise do projeto que acaba com a taxa da inspeção veicular. A maior parte dos líderes prevê uma crise na Casa com a instauração de uma investigação contra o judoca. Desde a volta do recesso, no dia 6, a Câmara não conseguiu acordo para dar início à votação de projetos de vereadores e do Executivo. Só ontem foram nomeados os integrantes das oito comissões que analisam propostas de lei protocoladas na Casa.

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