Presidência poderá intervir em disputa pela água entre Rio e SP

Para o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema, impasse envolvendo o rio Jaguari está atrapalhando a gestão das águas

Fernanda Nunes, O Estado de S. Paulo

13 Agosto 2014 | 18h32

RIO DE JANEIRO - A presidência da República poderá intervir na disputa pela água entre os Estados do Rio de Janeiro e São Paulo, segundo o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema (ONS), Hermes Chipp. Essa seria uma solução à resistência da concessionária estatal paulista Cesp à ordem do operador do sistema de aumentar a vazão do reservatório da hidrelétrica Jaguari. Também poderão intervir, segundo Chipp, os ministérios de Minas e Energia e do Meio Ambiente.

A Cesp argumenta que, em vez de priorizar a geração de energia, como pretende o operador do sistema, a água do Jaguari deve ser usada para o abastecimento humano. Como consequência, a geração de energia pela fluminense Light, no rio Paraíba do Sul, foi reduzida. Do ponto de vista do setor elétrico, no entanto, o fato não teve grandes repercussões, de acordo com Chipp.

Ainda nesta semana, a Agência Nacional de Águas (ANA) deverá reunir Light e Cesp, segundo Chipp, para quem, o ideal seria que o encontro ocorresse "amanhã". Mas ele não soube precisar exatamente a data da reunião.

Para o diretor-geral do ONS, o impasse envolvendo o rio Jaguari é também de ordem política, o que, em sua opinião, já está atrapalhando a gestão das águas. "Mas acredito que haja bom senso para chegar a um denominador comum", disse. A menção de Chipp à politização do setor elétrico diz respeito ao que seria uma disputa entre o governo estadual paulistano, liderado pela PSDB, e o governo federal, do PT.

Além de comprometer, prioritariamente, o abastecimento de água, que deve chegar ao seu ponto mais crítico em novembro, o diretor-geral do ONS vê na atitude da Cesp uma abertura para que outros concessionários do setor de energia passem a desrespeitar as ordens do operador, o que, em sua opinião, comprometeria o funcionamento do sistema elétrico.

Após participar de seminário promovido pelo Instituto Acende Brasil, Chipp afirmou ainda que as previsões de abastecimento de energia elétrica no fim do período seco melhoraram. A perspectiva para novembro é que o nível dos reservatórios no Sudeste estejam em 20%, volume superior aos 18,5% previstos anteriormente.

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