Presença da PM pode acabar com cracolândia?

SIM. Esse tipo de operação, desde que não seja contra o usuário de drogas, mas contra o traficante, pode ajudar. A presença constante da Polícia Militar deve coibir o tráfico, além de facilitar a ação de todo mundo que trabalha com essa população. São cerca de 2 mil dependentes que circulam pela cracolândia todo dia. Eles não podem ficar esquecidos. Essa venda de drogas tem de ser combatida no local, com ações de revista inclusive em prédios abandonados que servem de esconderijo. Mas, além das operações policiais, há necessidade de se ampliar a atuação médica, assistencial e do Judiciário para viabilizar o tratamento desses usuários. E não são só internações compulsórias. Algumas são necessárias, mas a maioria pode ser trabalhada de outra forma. Agora, um alerta: qualquer que seja a operação, não pode ter um caráter higienista disfarçado. Não precisamos limpar as ruas, mas tratar as pessoas. Por isso, ficaremos de olho.

O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2012 | 03h05

* Antônio Carlos Malheiros, desembargador e coordenador da Infância e Juventude do Tribunal de São Paulo

NÃO. Acho que é só perfumaria. Já vi inúmeras ações como essa. Quando José Serra (PSDB) assumiu a Prefeitura, por exemplo, ocorreu uma ação semelhante na região. E, no final, o resultado foi só ampliar o espaço de uso dos viciados, já que eles migraram para as ruas onde a PM não estava. É claro que se deve fazer alguma coisa, que não se pode deixar a cracolândia como está. Mas é muito difícil que esse tipo de operação dê resultado a médio ou longo prazo. O efeito é só imediato: funciona na hora, mas depois os usuários voltam ao mesmo local onde estavam antes. O que é preciso é convencer essa população de que precisam se tratar. Mas essa parte é a mais difícil de fazer. O "noia" não quer sair de lá. E, mais ainda, é preciso combater o narcotráfico, que abastece os pequenos traficantes da cracolândia. Isso sem falar na prevenção. Para mim, essa ação só visa a melhorar a questão urbana, ou seja, esconder pessoas e limpar ruas.

* Guaracy Mingardi, doutor em Ciência Política pela USP e pesquisador em Direito da Fundação Getúlio Vargas

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