Tiago Queiroz/AE
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Presas mães de meninas de gangue da V. Mariana

As quatro mulheres são acusadas de abandono de incapaz; no início da tarde, a PM havia detido sete garotas do grupo que age no bairro

Luísa Alcalde e Gio Mendes, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2011 | 00h00

O delegado titular do 36.º Distrito Policial (Paraíso), Márcio de Castro Nilsson, decidiu prender ontem, por abandono de incapaz, quatro mães de três adolescentes e uma criança que estavam praticando furtos na Vila Mariana, zona sul.

"Que isso sirva de lição para que os pais saibam por onde andam seus filhos", disse Castro. As mães serão encaminhadas a um Centro de Detenção Provisória (CDP). Para o delegado, elas sabiam da conduta das filhas. Uma delas, diz Castro, chegou a dizer que não conseguia controlar a filha e evitar que ela fizesse "coisa errada".

"O que é que você estava fazendo lá? Mas é besta de voltar para o mesmo local do crime", disse ontem outra mãe em conversa com a filha na delegacia. Segundo Castro, se localizados, os pais também responderão pelo crime de abandono de incapaz.

No começo da tarde de ontem, a Polícia Militar havia detido sete meninas agindo na região. A PM recebeu denúncia de que elas estavam furtando uma motorista na rua Professor Noé de Azevedo, esquina com a Lins de Vasconcelos, por volta das 13h30. A intenção era levar o celular da condutora, que estava acompanhada por outra mulher. Moradores de um prédio da região presenciaram a ação e avisaram a polícia.

Flagradas, as meninas foram levadas para o 36.º DP e, em seguida, encaminhadas para uma unidade da Fundação Casa onde tentou-se identificá-las, mas não havia registro de passagens delas pela instituição. À noite, a polícia descobriu que as três crianças têm entre 10 e 11 anos e as quatro adolescentes, entre 13 e 14 anos. Todas seriam encaminhados pelo Conselho Tutelar da Vila Mariana a um abrigo.

Conselheiros foram chamados na delegacia para ajudar na identificação das famílias. Os pais foram encontrados e também levados ao distrito. O delegado registrou o fato como ato infracional de furto ou roubo, embora não tenha sido empregada violência ou grave ameaça.

As vítimas não ficaram na delegacia para registrar a ocorrência, mas deverão ser intimadas a prestar esclarecimentos. O caso será remetido ao Ministério Público. O Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) da Prefeitura na zona leste, região de onde seria boa parte das crianças, não identificou ontem outras famílias do grupo.

Comércio. De acordo com a PM, dois meninos integram o grupo, mas ontem eles não estavam entre as crianças detidas. "Geralmente, elas andam pelo bairro em grupos de 15 ou 20", disse o soldado Marcos Beltrão, da 1.ª Companhia do 12.º Batalhão da PM, unidade responsável pela área.

 

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