Presa quadrilha que batia na traseira de carros para roubá-los

Acidente leve fazia vítima parar e dava chance de abordagem; quadrilha só atacava mulheres na zona leste da cidade

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2012 | 03h07

A polícia prendeu na noite de ontem uma gangue da zona leste de São Paulo que batia na traseira de carros dirigidos por mulheres para poder roubá-los. Os criminosos são suspeitos de pelo menos 60 assaltos desse tipo desde o começo do ano na região da Avenida Jacu-Pêssego.

A quadrilha era investigada havia pelo menos três meses. Eles agiam sempre da mesma forma, provocando um pequeno acidente, geralmente em algum semáforo. A vítima parava o carro para ver o que havia acontecido e, no meio da discussão, eles anunciavam o assalto.

"Era sempre uma batida leve, até para não estragar o carro e depois poder aproveitar as peças. Em um dos veículos, eles bateram duas vezes para ver se a vítima parava", explicou o delegado Marcelo Bianchi, responsável pela 3.ª Delegacia da Divisão de Investigações sobre Furtos e Roubos de Veículos e Cargas (Divecar) do Departamento de Estadual de Investigações Criminais (Deic). O delegado contou também que, em alguns casos, os bandidos levavam a vítima até Guarulhos, na Grande São Paulo, ou ao Itaim Paulista, também na zona leste, antes de soltá-la.

O delegado reconhece que é difícil um motorista não parar quando alguém bate em seu carro, mas ressalta que, na dúvida, deve procurar ajuda imediatamente. "Os pequenos acidentes acontecem com muita frequência em uma cidade grande como São Paulo, é difícil adivinhar o que vai acontecer. Mas, se a pessoa desconfiar de alguma maneira, sentir-se insegura, deve procurar algum policial militar ou uma delegacia antes de parar o carro."

A investigação levou a polícia anteontem até um lava-rápido em São Miguel Paulista, onde suspeitos mantinham um Kia Sportage e um Honda Fit roubados. Era o lugar onde "esfriavam" o veículo - aguardavam para ver se não tinha rastreador, até levar a um desmanche.

Foram presos Kaike da Silva, de 19 anos, João Lucas da Silva, de 21, Diemens Cunha Sousa, de 22, Bruno Amaral Santos, de 23, e Ederson Buriti dos Santos, de 31. O mais velho era o único com antecedentes criminais. Pelo menos dois já foram reconhecidos por duas vítimas.

Perfil. Para a delegada Patrícia Simone Carbone, que participou da investigação, os detidos não têm perfil de criminosos comuns nem o "vocabulário" usado por bandidos. "São garotos que, se estivessem em outro contexto, passariam despercebidos. Mas, apesar de serem novos, já conseguem se movimentar bem pelo mundo do crime." A delegada afirmou também que eles abusavam da ameaça psicológica.

Um traço em comum deve facilitar o reconhecimento por parte das vítimas - o corte de cabelo moicano e, em alguns deles, com luzes é uma característica dos integrantes do bando.

Anonimato. O delegado Bianchi disse que uma das dificuldades é conseguir manter os bandidos na prisão e, para isso, é importante a população colaborar com denúncias.

"Muitas pessoas são chamadas e não querem reconhecer os criminosos. Temos pelo menos 60 casos com essa mesma característica", disse o delegado. Ele lembrou que, caso não queira se identificar, a vítima pode permanecer no anonimato.

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