Presa quadrilha acusada de comprar precatórios em São Paulo

Morte de duas pessoas na cidade de Taubaté, que estariam ligados ao esquema, levou a prisão de sete pessoas

Hélcio Consolino, especial para O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2008 | 19h57

Um crime maquiavélico. Com essa frase o responsável pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Taubaté, delegado Marcelo Duarte, e o promotor de Justiça da cidade, Antonio Carlos Ozório, qualificaram nesta segunda-feira, 11, o assassinato da dona de casa Selma do Carmo Gil Lange, de 47 anos, e do sobrinho Luiz Guilherme Gil, de 13 anos. Eles morreram, respectivamente, nos dias 12 de maio e 12 de junho, vítimas de um esquema para impedir a divulgação de negócios escusos envolvendo a compra de precatórios de viúvas de policiais militares em todo o Estado. Selma foi executada quando saía de casa. Ela recebeu três tiros disparados por dois motoqueiros, no momento em que iria levar os filhos para a escola. O delegado da DIG divulgou os motivos do crime. A assistente social Leonor Ataíde de Oliveira, de 61 anos, cometeu o crime para impedir que Selma, sua ex-cunhada, contasse à polícia que ela comprava créditos de precatórios de pensionistas da Polícia Militar por valores irrisórios, juntamente com o filho advogado, Álvaro Marcondes Vieira Filho.  Ao investigar essa questão, o delegado descobriu que, coincidentemente, o promotor de Justiça de Taubaté já investigava essa conduta por causa da denúncia feita por parentes de uma viúva de 75 anos contra Selma e seu filho. Eles haviam negociado os direitos a precatórios no valor de R$ 40 mil por apenas R$ 9 mil. "Como esses casos se arrastam por vários anos, eles adiantavam uma certa quantia em troca do valor principal", explica o promotor. Ozório diz que há possibilidade de terem sido feitas milhares de vítimas em todo o Estado, mas ainda há muito a ser investigado. "Mãe e filho agiam num negócio maquiavélico. Infelizmente, as operações são imorais, mas não são ilícitas no âmbito criminal, podendo ser questionadas e revistas na esfera civil", explicou o promotor. Tráfico de Drogas Já a morte do adolescente ocorreu por engano. O alvo seria outro sobrinho de Selma, Diego Gil. Como ele tem envolvimento com tráfico de entorpecentes, a sua morte passaria a idéia de que todos os crimes estariam relacionados ao tráfico, despistando qualquer suspeitas. As investigações, porém, chegaram até o ex-militar Douglas de Moura Cipriano, de 26 anos. Com experiência em armamento, ele confessou que recebeu dinheiro para assustar a família de Selma com uma série de bombas caseiras jogadas na casa da vítima desde 2007. Segundo o delegado, o objetivo era fazer com que a família acreditasse ser vingança de traficantes em busca de Diego Gil. Na verdade, Cipriano é amigo do irmão de Leonor e articularam os dois assassinatos. "O próprio Cipriano disparou contra a Selma aproveitando a saída temporária do dia das mães, quando deixou o presídio Edgar Magalhães Noronha, de Tremembé, onde cumpria pena". Leonor será ouvida em Taubaté nesta terça-feira. Ela está presa na 89.ª Delegacia do Morumbi, em São Paulo, destinada para presas que têm curso superior. "A autoria intelectual de todos os atentados e mortes é da assistente social Leonor, desafeta declarada de Selma. Essa foi uma das tramas mais torpes e odiosas já vistas em Taubaté", conclui o delegado Marcelo Duarte. A reconstituição dos dois crimes será feita na quinta-feira. Além de Leonor, do filho Álvaro e de Douglas Cipriano, a polícia prendeu Thiago Lucas Rodrigues Silva Ferruz, vulgo "Tilu"; Alan Ricardo Brandão; Helton dos Santos Syrio e Adriano Rogério Fernandes. Eles receberam importâncias que variaram entre R$ 100 e R$ 1,5 mil para articular e participar dos dois assassinatos. Diego Gil também está preso por tráfico.

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