Presa dupla que vendeu arma por R$ 260

Revólver calibre 32 foi comprado por Wellington no começo de janeiro; matador disse que era[br]para ''proteção pessoal''

Felipe Werneck / RIO, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2011 | 00h00

A Justiça do Rio decretou a prisão preventiva dos dois homens acusados pela polícia de terem intermediado a venda do revólver calibre 32 usado por Wellington Menezes de Oliveira no massacre de quinta-feira na Escola Municipal Tasso da Silveira.

O chaveiro Charleston Souza de Lucena, de 38 anos, e o vigia Izaías de Souza, de 48, confessaram na Delegacia de Homicídios que receberam R$ 30 cada um para ajudar Wellington a comprar a arma, por mais R$ 200, de um criminoso de Sepetiba, na zona oeste, na primeira quinzena de janeiro. Os dois foram indiciados pelo delegado Felipe Ettore sob acusação de comércio ilegal de arma de fogo. Se condenados, a pena pode chegar a 8 anos de prisão. "Fizemos sem maldade", declarou o chaveiro. "Se soubesse que era para isso, jamais teria feito. Veio lágrima nos olhos pelas vítimas. Agora, vou ter de pagar", repetia o vigia.

Segundo o delegado, a arma pertencia a um criminoso chamado Robson, que teria sido assassinado no carnaval. O chaveiro contou que Wellington queria a arma para se proteger - ele morava sozinho em Sepetiba - e que o conheceu quando foi fazer um serviço em sua casa.

A PM informou ter chegado ao chaveio por meio de uma denúncia anônima. Souza, que a princípio negou participação no crime, confessou na delegacia ter feito o contato com Robson e levado a arma até o chaveiro, que a repassou para Wellington. A negociação teria envolvido cinco cápsulas, de calibres 32 e 7.65. Os dois suspeitos tinham antecedentes criminais - Lucena por agressão, ameaça e desacato, entre outros crimes; e Souza por uso de documento falso e ameaça. O revólver calibre 32 tinha sido furtado do sítio de seu dono em 1994. Já a arma calibre 38, também levada pelo atirador para a escola, estava com a numeração raspada, e a investigação cabe à Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (DRAE). Segundo Ettore, as duas armas foram usadas no massacre.

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