Presa dupla que traficava cocaína em objetos de porcelana

Brasileiro e nigeriano são acusados pertencer a rede de tráfico que mandava a droga para a Inglaterra

Andressa Zanandrea, do Jornal da Tarde,

28 de agosto de 2007 | 08h04

Dois homens foram presos acusados de mandar cocaína para o exterior dentro de estatuetas de porcelana. O esquema, usado pelo menos desde abril, foi descoberto por policiais do Grupo de Operações Especiais (GOE). Eles receberam informações de que o crime era praticado em uma desentupidora em Parelheiros, na zona sul de São Paulo. Os enfeites eram enviados pelo correio. Foram presos José Roberto de Mendonça, e o nigeriano Matthew Adeyinka Olaiya, de 38 anos, que, segundo a polícia, já foi preso no Brasil e cumpriu pena.   Ao chegar ao local, na tarde de segunda-feira, 27, os policiais encontraram uma pequena caixa de papelão, já endereçada à Inglaterra. Suspeitando do conteúdo, eles constataram que era um elefante de porcelana. Perguntaram à recepcionista se havia algo dentro dele. Ela disse que não sabia e que o dono da empresa havia saído para almoçar.   Quando José Roberto de Mendonça voltou, acompanhado de Matthew, que disse ser seu compadre -, deparou-se com os policiais, que repetiram a pergunta feita à moça. Ele teria dito que não havia nada dentro, mas o elefante foi balançado. Resolveram, então, quebrar o objeto e encontraram o pó branco.   Além da droga, os policiais encontraram cerca de 20 cartões clonados, a maioria com o nome do nigeriano, cheques e uma carteira de habilitação sem nada preenchido. Para aplicar golpes, Mendonça usava o nome de Paulo César Prudente. A polícia suspeita que a desentupidora é apenas uma empresa de fachada e que um funcionário de banco teria fornecido informações à dupla.   Em casa   Depois de ir à desentupidora, os policiais resolveram ir até a casa do dono, em Interlagos, também na zona sul. Lá, encontraram um pingüim recheado com cocaína, outro vazio, um gato japonês, além de dois elefantes que também seriam recheados com a droga pura. O quilo da cocaína pura no exterior chega a valer US$ 50 mil e rende três quilos para venda, de acordo com os policiais. Dentro do pingüim, havia 400 gramas da droga. Para despistar e enganar os funcionários dos Correios, a polícia deduz que algumas peças eram preenchidas com massa corrida.   A dupla foi autuada por tráfico internacional de drogas e por estelionato. A Polícia Civil de São Paulo pretende localizar as demais conexões do grupo na Inglaterra e acionou a Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol). O objetivo é descobrir receptores e destinos da droga.

Tudo o que sabemos sobre:
tráfico de drogas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.