Preparar, apontar, fogo! Axl Rose na mira de críticos e fãs

Axl Rose, o maior alvo do festival, toca hoje sob a mira dos críticos e dos próprios fãs. O que terá sobrado dos bons tempos?

PEDRO ANTUNES , ENVIADO ESPECIAL / RIO , O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2011 | 03h01

O auge e a decadência podem estar separados por um intervalo de dez anos. Que o diga o hoje barrigudinho Axl Rose. Se no Rock in Rio de 1991 ele e a sua banda, o Guns N'Roses, exibiram-se em grande forma em dois shows, o mesmo não pode ser dito de 2001, também no Rio de Janeiro. Dez anos se passaram e cá estão eles outra vez, para fechar a quarta edição do festival, com entrada prevista para às 0h50 de hoje para amanhã.

O sujeito que no fim dos anos 80/início dos 90 se exibia para o suspiro das garotas num shortinho ínfimo, hoje, aos 49 anos, já não deve entrar na peça. Ele e sua banda são a principal atração de hoje do Rock in Rio, ao lado dos pesados System of a Down e Evanescence e dos brasileiros Detonautas e Pitty.

Axl e o que sobrou do Guns N'Roses depois de 26 anos de banda - curiosamente esta é a idade do festival - precisam provar se ainda conseguem repetir as históricas apresentações de 1991, ou se farão o show morno de dez anos depois, em 2001.

Para ninguém que tocou até hoje nesta quarta edição do festival esse show é mais importante. Eles estarão sob os holofotes, observados atentamente por fãs e por críticos que esperam sedentos por qualquer deslize para iniciarem o massacre.

Em 1991, era praticamente impossível encontrar algum jovem da geração MTV que não vibrasse com as primeiras notas do riff de guitarra de Slash em Sweet Child O'Mine.

Guns versus grunge. O grunge também explodia no início da década. Eddie Vedder, do Pearl Jam, e Kurt Cobain, do Nirvana, eram vozes de uma nova geração que surgia, vindo do underground. Mas ninguém era mais falado do que o grupo liderado pela dupla dinâmica Axl e Slash: roqueiros, beberrões, encrenqueiros e, o melhor de tudo, bons no que faziam: um hard rock com guitarras furiosas e vocais estridentes e ensandecidos.

Naqueles dois primeiros shows do Rock in Rio, a banda havia emplacado grandes hits, como Welcome to the Jungle, Paradise City, Sweet Child o' Mine, todas do visceral Appetite for Destruction, de 1987, e a balada roqueira Patience, de Lies, lançado em 1988. No show por aqui, eles exibiram temas inéditos que seriam lançados logo naquele ano, com os discos Use Your Illusion, volumes um e dois. Axl costuma dizer que aquelas duas apresentações foram as 'melhores de todos os tempos.' Além de estar em plena forma, o vocalista apresentou para o público, oficialmente, o baterista Matt Sorum e o tecladista Dizzy Reed, este permanece até hoje com a banda.

Em 2001, a coisa toda mudou de figura. Um Axl já meio fora de forma e com a voz vacilante trouxe um novo Guns N'Roses para a terceira edição do festival. Havia o que se comemorar, era a volta da banda às apresentações ao vivo, após um hiato de nove anos, mas era preciso ter ensaiado mais. O grupo parecia desajustado no palco à frente do maior público da carreira, veja só a ironia, de 240 mil pessoas.

Desde aquela época, já era prometido o sexto disco, Chinese Democracy, e a banda executou cinco músicas que seriam incluídas nesse trabalho. Mas o álbum tornou-se mais famoso pela expectativa que gerou do que pelo seu conteúdo em si. Não que seja ruim, pelo contrário, existem boas coisas ali. O grande problema é que o disco não foi lançado como programado e, como uma das maiores lenga-lengas do rock, ele só saiu em novembro de 2008, 15 anos depois do seu antecessor. Das canções apresentadas em 2001, apenas Madagascar e a que dá nome ao trabalho se mantiveram. Em 2010, a banda trouxe a nova turnê para o Brasil: shows em Brasília, Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro. Na capital paulista, no Palestra Itália, o público viu um Axl fora de forma, voz insossa e que recebeu um copo d'água na cabeça protegida por um chapéu de caubói. Em todas as ocasiões, Axl atrasou muito para entrar em cena. Espera-se que não faça isso no palco do Rock in Rio.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.