Preocupado, Alckmin fica em SP e deixa de ir à festa do PSDB

Temendo mais agitações, governador prefere monitorar manifestações e não viaja a Brasília para os 25 anos da sigla

Tiago Dantas, O Estado de S.Paulo

19 Junho 2013 | 02h04

Em meio aos protestos contra o aumento das tarifas do transporte público em São Paulo, que chegaram anteontem ao Palácio dos Bandeirantes, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) passou o dia na capital e não compareceu à festa de seu partido em Brasília.

Ontem, tucanos comemoraram, na Câmara dos Deputados, os 25 anos do PSDB e os 19 anos do Plano Real, além do aniversário dos 82 anos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Um dos motivos da ausência de Alckmin no evento do PSDB, segundo pessoas próximas, foi sua intenção de acompanhar de perto o protesto.

Alckmin havia afirmado, anteontem, que pode conversar com o Movimento Passe Livre (MPL) sobre a composição das tarifas de trem e metrô. Integrantes do governo avaliam, porém, que uma redução no valor é pouco provável. Eles argumentam que o aumento já foi atrasado em quatro meses a pedido do governo federal e ficou abaixo da inflação do período.

Uma das bandeiras da Frente Nacional de Prefeitos - a desoneração do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) que incide sobre o diesel - também teria pouco impacto nas tarifas dos transportes controlados pelo Estado, na avaliação do governo. Boa parte é de transporte sobre trilhos.

Enquanto alguns manifestantes tentavam forçar a entrada no Palácio dos Bandeirantes na noite de anteontem, o governador e alguns secretários mais próximos acompanhavam o movimento de dentro da sede do governo. Eles estavam lá quando uma parte do movimento quebrou o portão do palácio e foi reprimida pela PM.

A cúpula do governo ainda permaneceu no local até as 2h30. Os secretários esperavam que o protesto fosse se dispersar, mas um grupo de 30 pessoas preferiu passar a madrugada na frente do portão 2 do prédio. Cerca de dez manifestantes continuavam lá no início da noite de ontem.

Rotina. A rotina na sede do Executivo não foi alterada pelo protesto, segundo funcionários.

Ontem, Alckmin não teve agenda aberta à imprensa nem se pronunciou oficialmente sobre os protestos. Pela manhã, recebeu prefeitos de cidades do interior para assinar convênios com a Secretaria de Estado da Agricultura. À tarde, também no palácio, participou de reunião para tratar da Defesa Civil de alguns municípios. Embora o grupo que estava na porta do palácio não incomodasse, a preocupação era de que a passeata que começou no centro fosse para o Morumbi à noite, o que acabou não acontecendo.

O governo do Estado divulgou nota dizendo que os protestos contra o aumento das tarifas do transporte ganharam uma "dimensão nacional" e parabenizou o "diálogo entre a Secretaria da Segurança Pública e os líderes do movimento".

O texto classificou as pessoas que tentaram invadir o palácio anteontem como uma minoria política radical: "Fracassou, portanto, a tentativa de uma minoria política radical de usar ações violentas para criar distúrbios e desvirtuar a manifestação. Venceram o diálogo e o bom senso". / COLABOROU LUCIANO BOTTINI FILHO

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