Prejudicados por queda de prédio vão processar prefeitura

Associação que reúne condôminos de três edifícios reclamam de descuido com material recolhido nos escombros

LUCIANA NUNES LEAL / RIO, O Estado de S.Paulo

03 de fevereiro de 2012 | 03h07

Quase sem esperanças de reaver objetos e documentos importantes desaparecidos no desabamento dos três prédios no centro do Rio, os integrantes da recém criada Associação das Vítimas da Treze de Maio reúnem provas para entrar na Justiça contra a prefeitura por descuido com o material recolhido nos escombros. Na primeira reunião da associação, proprietários e condôminos fizeram vários relatos de tentativas frustradas de recuperar os objetos.

As vítimas, quando tiverem provas suficientes, vão cobrar indenização da prefeitura por danos materiais. A associação deverá aguardar os resultados da investigação policial para acionar outros possíveis responsáveis pelas perdas. "Chegaremos a uma prova cabal da administração pública de que não houve o cuidado necessário e houve destruição inconsequente do material", disse o advogado Alexandre Blatter, do escritório Blatter e Galvão, que funcionava no 13.º andar do Edifício Liberdade, o primeiro a cair, na noite do dia 25.

Um grupo de associados reuniu-se ontem com representantes da prefeitura e obteve uma declaração oficial de que o município é responsável pela triagem dos objetos. "Nessa primeira fase, é importante a reunião do maior número possível de provas para que os associados possam mover ações", explicou o advogado Octávio Blatter, pai de Alexandre, que conduziu a primeira reunião, realizada em um espaço cedido pela seção fluminense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ).

A prefeitura e o governo do Estado garantem que o material recolhido nos escombros e levado para um terreno na Rodovia Washington Luís é monitorado por câmeras e vigiado pela Polícia Militar. Informam também que a separação dos objetos será feita depois que forem liberados pela perícia.

Missa. Ontem, cerca de 200 pessoas participaram da missa de 7.º dia na Catedral de São Sebastião, em memória das vítimas. Ela foi celebrada pelo arcebispo d. Orani Tempesta. "Não sei o que vou fazer daqui para a frente. Hoje seria o aniversário de 73 anos dele", disse ontem a secretária Sandra Maria Ribeiro, de 40 anos, que na semana passada perdeu o pai, Cornélio Ribeiro Lopes, zelador do Edifício Liberdade. "Ele pretendia voltar para o Ceará, mas, infelizmente, aconteceu essa tragédia."

Nem o prefeito nem o governador compareceram. A única autoridade no local foi o comandante da Guarda Municipal, Henrique Saraiva. A recepcionista Eunice dos Santos chorava pelo marido, Celso Renato Braga, um dos mortos. "Ele tinha pedido demissão da Tecnologia Organizacional (TO). No dia seguinte ia sair." /COLABOROU FELIPE WERNECK

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