Prefeitura volta atrás, mas lixo ainda se acumula nas ruas de SP

Um dia depois do prefeito Gilberto Kassab anunciar que não vai reduzir a verba, reportagem flagra lixo nas ruas

23 de setembro de 2009 | 15h15

Lixo acumulado na esquina da Av. São João com a Alameda Glete, no centro. Foto: Hélvio Romero/AE

 

A Prefeitura de São Paulo voltou atrás e não vai cortar parte do orçamento para a limpeza urbana, mas o lixo continua se acumulando em vários pontos da capital paulista. Nesta quarta, era possível ver vários pontos sem limpeza, principalmente na região central de São Paulo.

 

O prefeito Gilberto Kassab (DEM) recuou da decisão, tomada em agosto, de cortar 20% da verba repassada às cinco empresas de varrição e de 10% da coleta do lixo. Após avaliar que o aumento da sujeira nas ruas e novas demissões no setor poderiam acentuar o desgaste do prefeito junto à população, a cúpula do governo decidiu elevar os R$ 903 milhões previstos no ano para a limpeza pública de São Paulo. De imediato, foi desfeito o corte de R$ 3 milhões mensais da varrição.

No Glicério, também no centro, lixo acumulado é arrastado pela chuva. Foto: Hélvio Romero/AE

 

A Secretaria Municipal de Serviços prevê, a partir de quinta, a volta do repasse mensal de R$ 27,5 milhões, ante os R$ 24,5 milhões que seriam pagos às empresas entre agosto e dezembro - o que daria um corte de R$ 60 milhões nos R$ 330 milhões da cota anual. A elevação das verbas foi ratificada em negociações na sexta-feira e na terça, segundo o secretário municipal de Transportes e de Serviços, Alexandre de Moraes. O governo temia que as novas demissões (o aviso prévio de 1.300 dos 8.500 varredores venceria hoje) pudessem prejudicar ainda mais a varrição.

As empresas, contudo, não garantiram a readmissão dos 568 varredores demitidos desde o corte das verbas. "É uma boa notícia o fim do corte, mas ainda não recebemos notificação oficial. Se for confirmado o fim do corte, as demissões podem ser revistas. Só fica mais difícil contratar quem já foi demitido, isso é praticamente impossível", argumentou Ariovaldo Caodaglio, presidente do Sindicato das Empresas de Varrição (Selur). O sindicato dos garis não comentou a mudança.

A revisão do repasse foi possível graças a um aumento de 3,5% na arrecadação de tributos como o IPTU e o ISS no terceiro trimestre, declarou Kassab. "Agora a verba vai passar dos R$ 903 milhões (para a limpeza urbana), muito provavelmente", afirmou o prefeito. Ao lado de Kassab, o secretário de Serviços afirmou que o teto da limpeza pública volta a ser de R$ 1,14 bilhão, valor estabelecido antes do corte no Orçamento, que reduziu as estimativas para 2009 de R$ 29 bilhões para R$ 25 bilhões. Moraes afirmou que, como contrapartida, não haverá o aumento anual, com base em reposição inflacionária medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), cedido às empresas no final do ano, conforme o contrato de concessão do serviço prevê.

Moraes disse que o contrato com as empresas de varrição, em vigor desde 2006, vence no dia 3 de outubro.

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