Prefeitura vai rever ideia de garagens verticais

Empresa envolvida no projeto de edifícios para carros diz que investimento não compensa e propõe a construção de estacionamentos subterrâneos

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2010 | 00h00

A construção de garagens verticais para aumentar as vagas de Zona Azul na capital pode esbarrar no quesito "custo". Pelo menos uma empresa que se dispôs a fazer estudos desse projeto para a Prefeitura diz que o investimento seria alto demais para valer a pena. A Prefeitura admite que é preciso "compatibilizar" seus planos com os interesses privados.

A administração municipal anunciou ontem mudanças no projeto: a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho vai tentar encontrar uma solução.

A proposta é construir 64 garagens e praticamente dobrar as 35 mil vagas de Zona Azul existentes em São Paulo. Com isso, as ruas ficariam livres para o trânsito de carros. Apenas três empresas se interessaram em criar estudos para a Prefeitura que serviriam de base ao projeto. As propostas foram entregues em 26 de abril e ainda estão em análise.

Um dos envelopes é da Multipark, uma das maiores redes de estacionamento do País, que participa do processo em consórcio com a empresa europeia Empark. É a Multipark quem diz que o projeto pode não dar certo. A empresa analisou apenas uma região da cidade, o Itaim-Bibi, na zona sul, e, segundo o diretor Rubens Jorge Taleb, a implantação da proposta consumiria R$ 140 milhões - neste preço estão incluídos desapropriações de imóveis, investimentos em tecnologia e construção dos edifícios-garagens.

A Multipark diz ter entregue com a proposta um plano alternativo. No lugar dos edifícios indicados pela Prefeitura, garagens subterrâneas - que demandariam menos desapropriações. "O "plano B" teria custo de R$ 90 milhões", afirma o empresário.

Os recursos para tocar esses empreendimentos teriam de ser arrecadados com fundos de investimento, de acordo com Taleb. A vencedora da licitação poderia explorar as garagens verticais por 30 anos, segundo regras publicadas pela Prefeitura em novembro.

A reportagem procurou as outras empresas envolvidas. A Contern - construtora do Grupo Bertin - disse que atendeu ao chamado da Prefeitura e só se manifestará após o fim do processo. Já a ParkTec Tecnologia não foi localizada.

Ainda não há licitação para construir as garagens de Zona Azul. O processo em andamento, que teve início em novembro, é só para receber estudos técnicos que mostrem como tocar o projeto adiante. Vence quem mostrar os melhores locais para construir os edifícios e as melhores formas de a concessão dessas garagens ser rentável. Vale inclusive alugar espaços nas futuras garagens para comércios e lojas de serviço, já que os locais seriam quase uma rota obrigatória para os motoristas. O pagamento pela criação dos estudos é de 0,5% do valor total para a implementação do projeto, a ser pago pela concessionária vencedora.

Trânsito melhor. As garagens verticais são uma proposta da Prefeitura para impedir que os carros parem na rua. As vias ganhariam mais faixas de circulação e, com isso, haveria menos trânsito. O valor da vaga na Zona Azul Vertical seria de até uma vez e meia o valor da Zona Azul comum, que hoje custa R$ 3 e vale por uma hora. Com a medida, a cidade teria cerca de 25 mil vagas a mais para estacionamento.

PONTOS-CHAVE

Restrição

Na Rua 25 de Março, no centro, e no Itaim-Bibi e em Moema, na zona sul, a CET já restringiu o estacionamento - com proibição em algumas ruas e Zona Azul em outras - para tentar melhorar a fluidez do trânsito.

Proibido estacionar

3.850

vagas gratuitas foram extintas em Moema no mês retrasado. Na mesma ação, a Companhia de Engenharia de Tráfego criou 1.072 vagas exclusivas para Zona Azul no bairro.

Custo alto

Um estudo da consultoria imobiliária Colliers Internacional constatou que o paulistano paga, em média, R$ 260 por mês e R$ 23 por dia por uma vaga de estacionamento. É o quarto maior preço da América Latina.

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