Prefeitura vai regularizar 13 ocupações

Haddad quer comprar prédios abandonados do centro e, em parceria com movimentos de sem-teto, transformá-los em moradia popular

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2013 | 10h46

Dos 47 prédios ocupados no centro de São Paulo, onde hoje vivem 4 mil famílias ligadas a movimentos de sem-teto, a administração do prefeito Fernando Haddad (PT) já planeja transformar pelo menos 13 em moradias populares. São edifícios antigos e abandonados pertencentes a devedores de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) ou ao próprio governo. Alguns deles são tombados pelo patrimônio histórico.

A maior parte dos endereços está em locais de grande movimento comercial e poucos moradores, como nas Praças da Sé e da República, na Rua 7 de Abril e na Luz. A Prefeitura quer comprar os prédios e, junto com grupos organizados de habitação popular, adaptá-los aos atuais moradores.

Dois antigos hotéis estão entre os prédios que podem virar conjunto habitacional. O governo declarou para "desapropriação de interesse social" o edifício do Hotel Cambridge, na Avenida 9 de Julho, e o do Hotel Lorde, na Rua das Palmeiras. No coração do centro, na Rua Barão de Itapetininga, o Edifício São Manuel, de 1939 e arquitetura modernista, também pode virar moradia definitiva para as 170 famílias que hoje ocupam seus 13 andares.

Para Marina Rago, de 26 anos, arquiteta do coletivo Chão da USP, só com a ação da Prefeitura é possível tornar residenciais os prédios no centro. "Como o terreno no centro é muito caro e há as dívidas dos antigos donos, só com a desapropriação esses locais poderão ser transformados na casa das famílias", diz. Ela e o coletivo concluíram projetos para o retrofit de edifícios ocupados e pretendem doá-los aos moradores.

Reintegração. Nos prédios ocupados cuja reintegração de posse foi concedida, o governo fez o cadastro das famílias ou ofereceu bolsa-aluguel. Foi o caso do antigo Othon, ao lado da Prefeitura. Antes de as famílias deixarem o local, no início do mês passado, elas receberam do governo a promessa de serem contempladas, em quatro anos, com moradias populares.

O governo quer comprar o prédio onde funcionava o hotel para instalar a Secretaria de Governo. A gestão Haddad também estuda comprar dois prédios do governo federal para instalar moradia popular, segundo a Secretaria de Habitação.

Lideradas pela Frente de Luta por Moradia e pelo Movimento Moradia Para Todos (MMPT), as ocupações aconteceram em 2012, no fim da gestão Gilberto Kassab (PSD). Outros 13 prédios estão com reintegração de posse marcada.

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