Prefeitura vai fazer 20 drenos no Cingapura

Trabalho começa na semana que vem e deve ser concluído em dois meses e meio

MÁRCIO PINHO, RODRIGO BURGARELLI, O Estado de S.Paulo

07 Outubro 2011 | 03h01

A Prefeitura de São Paulo vai começar na próxima semana as obras necessárias para afastar definitivamente o risco potencial de explosão do conjunto habitacional Cingapura da Avenida Zaki Narchi, na zona norte. Vizinha do Center Norte, a área terá 20 drenos instalados para impedir acumulação do gás metano em áreas térreas. A previsão é que os trabalhos estejam finalizados em dois meses e meio.

Segundo a Prefeitura, o projeto foi apresentado à Cetesb em junho deste ano, mas apenas em 28 de setembro o órgão estadual autorizou a instalação. A localização dos drenos foi definida de acordo com monitoramento feito pela Secretaria Municipal de Habitação desde 2009, que detectou onde estão os bolsões de gás criados pelo antigo lixão sobre o qual o conjunto residencial foi construído.

Além da construção dos drenos, equipes contratadas pela Prefeitura vão percorrer todos os 140 apartamentos térreos e as áreas comuns para identificar rachaduras no solo. Todas as falhas serão tapadas com silicone, para impedir que o gás metano acumulado vaze e facilitar a drenagem pelos equipamentos a serem instalados.

Segundo a Cetesb, o conjunto tem "risco potencial" de explosão, que só viraria iminente caso o gás ficasse confinado em algum cômodo ou espaço fechado dos 35 prédios do Cingapura. Por determinação do Ministério Público, a Prefeitura começou ontem a monitorar diariamente o térreo do edifício para assegurar que não há metano nos apartamentos. Até então, esse trabalho era feito a cada três dias.

Um plano para organizar uma possível evacuação de moradores foi apresentado no fim da tarde de ontem à Promotoria. Nele, estão previstos a afixação de cartazes e distribuição de folhetos explicativos para todos os 2.787 moradores a partir de segunda-feira da próxima semana.

Tranquilidade. Um grupo de moradores do conjunto participa de reuniões com a Cetesb e com a Secretaria de Habitação sobre a situação desde 2009. Por isso, eles afirmam que estão bem informados e que a maioria não está preocupada com a possibilidade de explosões no local.

O gari Adão Barbosa de Jesus, de 67 anos, que vive no terreno desde 1977 e ajudou a construir a favela que nos anos 1990 foi substituída pelo Cingapura, afirma que "estão colocando chifre em cabeça de cavalo".

Ele conta que desde 2009 o conjunto recebe funcionários de empresa contratada pela Prefeitura para fazer medições de metano e que nunca houve qualquer aviso sobre riscos de explosões. Após a polêmica do shopping, as visitas dos técnicos se multiplicaram, relata. "Se o conjunto aqui tivesse de explodir, isso já teria acontecido", diz ele, que mora no andar térreo com mais cinco familiares.

Natália Silva, de 21 anos, diz que sempre viveu no Cingapura, e que sabe que não há riscos. "Não estou pensando em me mudar, não. Passei a vida aqui e sei que é seguro."

Quem também contesta a informação de riscos na área é a aposentada Irene Silva Ferreira, de 66 anos. Ela cozinha em casa e diz que, todos esses anos, acendeu suas bocas de fogão todos os dias e "nunca houve nenhum acidente". O único temor de Irene é ter de deixar o prédio, que considera seguro e perto de tudo. "Tem de tudo por aqui, farmácia, mercado e shopping."

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