Paulo Liebert/AE
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Prefeitura vai assumir hospitais desativados

Objetivo é cumprir a meta de entregar 175 novos leitos até o fim da atual gestão

Adriana Ferraz, O Estado de S. Paulo

03 de maio de 2012 | 17h08

SÃO PAULO - A gestão Gilberto Kassab (PSD) vai usar hospitais desativados para cumprir a meta de entregar 175 novos leitos. Sem emplacar uma Parceria Público-Privada (PPP) avaliada em R$ 6 bilhões para a construção de três unidades - a PPP foi adiada pela 14.ª vez na semana passada -, o plano agora é adaptar imóveis existentes no Carrão, na zona leste, Capela do Socorro, na zona sul, e Freguesia do Ó, na zona norte.

A reforma dos prédios será custeada pela Secretaria Municipal da Saúde, mas a administração dos equipamentos deverá ser repassada a uma Organização Social (OS). O valor do investimento não está fechado nem consta no Orçamento deste ano.

A secretaria não revelou os endereços, mas confirmou interesse nos imóveis que já abrigaram os Hospitais Vila Carrão, na Rua Conselheiro Carrão, e Nossa Senhora do Ó, no Largo da Matriz. Na zona sul, os leitos devem ser instalados em local alternativo, como um antigo motel, por exemplo. Uma construção do tipo abriga hoje o Serviço de Atenção Integral ao Dependente (Said), que atende majoritariamente viciados em crack.

Segundo o secretário adjunto da Saúde, José Maria da Costa Orlando, a proposta será desenvolvida independentemente da PPP. "Carrão, Freguesia e Capela do Socorro são regiões que também carecem de atendimento. E receberão hospitais de menor porte", disse, em audiência na Câmara Municipal. Ele ainda afirmou que as unidades não serão provisórias, como divulgado inicialmente - serão incorporadas à rede mesmo se a PPP sair.

O planejamento prevê 75 leitos hospitalares na zona norte e os outros cem leitos divididos igualmente entre as zonas sul e leste. No total, o número representa apenas um terço dos 550 leitos que os três novos hospitais previstos na PPP acrescentariam ao sistema municipal. Contando o aumento proposto para as nove unidades que seriam reformadas, o ganho seria de 1.024.

A capital tem ao menos 20 hospitais inativos, que desvalorizam a vizinhança e provocam revolta na população que depende do sistema público. Reativá-los é outra política municipal. O Hospital Sorocabana, na Lapa, zona oeste, é o primeiro a ser municipalizado.

Sorocabana. Fechado desde setembro de 2010, o Hospital Sorocabana, na Lapa, zona oeste, deve reabrir as portas no segundo semestre, com 120 leitos. O termo de cessão de uso do terreno foi entregue pelo governo estadual, dono da área, há três meses, e tem prazo de 20 anos.

Os primeiros atendimentos deverão ocorrer em AMA 24 horas, a ser instalado nas dependências do antigo pronto-socorro. A previsão é de realizar no local 15 mil atendimentos mensais nas especialidades de clínica geral, pediatria, ortopedia e cirurgia.

O Sorocabana é o único hospital da região, que ficou desassistida desde o seu fechamento, por problemas financeiros. Ao fechar as portas, a unidade acumulava dívidas estimadas em R$ 200 milhões. O hospital, apesar de particular, recebia repasse da Prefeitura para oferecer leitos públicos.

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