Prefeitura tira 3 carros abandonados das ruas por dia e quer acelerar leilões

Só neste ano, Secretaria de Coordenação das Subprefeituras de SP se desfez de aproximadamente 200 toneladas de veículos esquecidos

ARTUR RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

30 Abril 2012 | 03h00

Em média, 114 carros abandonados (mais de 3 por dia) são recolhidos mensalmente pela Prefeitura das ruas da capital paulista desde o começo do ano. Foram 5.349 desde 2005. Apesar disso, um número incalculável permanece nas ruas da cidade, tomando vagas de estacionamento e acumulando lixo. Na tentativa de resolver o problema, a administração acelerou o processo de leilões, para esvaziar os pátios das subprefeituras.

Oito eventos desses tipo já foram realizados. O mais expressivo ocorreu na Subprefeitura de Santana, em 30 de março, quando mais de 50 toneladas de veículos e carcaças foram leiloados. Desde janeiro, a Secretaria Municipal de Coordenação das Subprefeituras se desfez de aproximadamente 200 toneladas de veículos abandonados por meio de leilões. O próximo será na quinta-feira, em Parelheiros, na zona sul.

Para que se chegue a esse ponto, porém, há uma demora de meses. Desde o começo do ano, os moradores da Rua França Pinto, na Vila Mariana, zona sul, esperam o recolhimento de um Citroën batido. "Há uma clínica que atende crianças cadeirantes, onde param várias vans. Esse lugar onde está o carro é uma vaga onde caberia outra dessas vans", observa um dos moradores, o contador Fábio Masri, de 27 anos.

Na Rua Alberto Willo, no Planalto Paulista, também na zona sul, os vizinhos reclamam de três carros abandonados. E há lugares em que o veículos ficam por tanto tempo que se tornam casas para moradores de rua.

O chefe de gabinete da Secretaria Municipal das Subprefeituras, Manoel Victor de Azevedo Neto, admite que é um desafio retirar todos os veículos abandonados das ruas. Ele ressalta que, com crédito mais fácil e a indústria automobilística quebrando recordes de produção desde 2004, também aumenta o número de veículos simplesmente descartados. "Já o número de carros que é possível guardar nos pátios é pequeno", afirma. Segundo a Secretaria das Subprefeituras, o ritmo de retirada dos carros vem crescendo. Em 2005, foram 525 automóveis; no ano passado, 1.563 (variação de 197%). Só nos primeiros quatro meses deste ano, já foram 458.

Depredação e multas. Azevedo Neto afirma que muitas vezes os veículos abandonados são depredados e o que sobra são as carcaças para serem retiradas pelos caminhões da subprefeitura. "Percebem que o carro foi abandonado, acabam botando fogo na carcaça, quebrando os vidros, retirando objetos de valor. Quando a gente recolhe, muitas vezes é difícil até identificar o modelo", diz.

Entre os automóveis abandonados, há grande incidência de carros com muitas dívidas entre multas e impostos - valores que muitas vezes superam o do veículo. Também há muita incidência de carros importados, com menos disponibilidade de peças no Brasil. Isso sem falar nos carros roubados, que têm as peças retiradas e depois as carcaças acabam abandonadas nas ruas.

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