Prefeitura tenta recuperar prejuízo de R$ 3,4 milhões

Usuários do bilhete único que fizeram recarga nas 17 estações atendidas pela empresa descredenciada já receberam os créditos

BRUNO RIBEIRO, O Estado de S.Paulo

29 Novembro 2012 | 23h47

Um calote de R$ 3,4 milhões sofrido pela São Paulo Transporte (SPTrans), empresa da Prefeitura que controla a venda de créditos do bilhete único, é a causa da pane que tem impedido passageiros de 17 estações do Metrô de recarregar os cartões. Uma das empresas que faziam o serviço ficou 15 dias sem repassar à SPTrans o dinheiro da venda de créditos. Descredenciada nesta semana, não pode mais operar.

Há 15 dias, passageiros dessas estações (veja relação ao lado) não têm conseguido recarregar o bilhete único porque as máquinas estão sempre "sem sistema". A solução tem sido recorrer a bilhetes de papel do Metrô - que não têm integração com ônibus - ou buscar créditos em outras estações, casas lotéricas e bancas de jornais.

O Metrô informou na segunda-feira que a pane era resultado de pendência financeira entre a empresa Serviços Digitais, acusada do calote, e a Prefeitura, mas só ontem o tamanho exato da dívida e a natureza do problema foram confirmados pela SPTrans.

A Serviços Digitais foi procurada pela reportagem na tarde de ontem. Uma de suas advogadas chegou a atender um telefonema e disse que ligaria no fim do dia para explicar o caso, após falar com os responsáveis, mas não retornou mais. O telefone da empresa não atendia no fim da noite.

Pelo contrato, as empresas que vendem os créditos têm de repassar o dinheiro a uma conta-sistema da SPTrans em até 48 horas. Mas a Serviços Digitais - que vendia uma média diária de R$ 2 milhões em créditos - vinha sistematicamente descumprindo esse prazo nos últimos tempos, de acordo com a Prefeitura. Tanto que foi multada 31 vezes em seis meses e - ainda segundo a Prefeitura - não pagou duas das penalidades impostas. No total, a dívida é de R$ 3,4 milhões.

Para que o prejuízo não fique com os cofres público, a Prefeitura agora tenta reaver o dinheiro acionando o banco fiador da Serviços Digitais, cujo nome não foi divulgado.

Na Justiça. As duas empresas também brigam na Justiça. Uma ação da 4.ª Vara Cível, aberta pela Serviços Digitais no começo do mês, tentou garantir a operação da empresa. Decisão do dia 12 permitiu, no entanto, que a SPTrans desligasse o sistema da Serviços Digitais, caso os débitos com a Prefeitura não fossem quitados. Foi quando começaram os transtornos dos passageiros.

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