Prefeitura suspende corte de árvores para construção de prédio em Moema

Construtora já havia iniciado a derrubada de exemplares; moradores pressionam para manter espécies

Malena Oliveira, Alexandre Bazzan, O Estado de S. Paulo

31 Janeiro 2015 | 20h04

SÃO PAULO - A Prefeitura de São Paulo suspendeu neste sábado, 31, o corte de árvores para a construção de um empreendimento imobiliário em Moema, na zona sul da capital paulista, onde funcionava a antiga casa de shows Palace. A derrubada criou um impasse entre moradores da região, a construtora Esser (responsável pela obra) e a Prefeitura de São Paulo. 

Um vídeo enviado à reportagem do Estado neste sábado mostra a remoção de alguns exemplares no cruzamento entre a Avenida Jamaris e a Alameda Jurupis. O serviço de corte, segundo a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) e a Subprefeitura da Vila Mariana, havia sido autorizado.

Cerca de 100 moradores da região se manifestaram contra a retirada das árvores do local, o que motivou a Associação de Moradores e Amigos de Moema (AMAM) a pedir a revogação da autorização. Sob o argumento de que são insuficientes as compensações ambientais com as quais a construtora se comprometeu, a associação tenta impedir a remoção de 14 árvores com cerca de 40 anos. Uma delas, segundo os moradores, é de uma espécie nativa da região.

"Os moradores impediram que uma das árvores fosse inteiramente cortada, apenas alguns galhos foram", afirmou o presidente da AMAM, José Roosevelt Júnior. Porém, mesmo a poda de alguns galhos colocou as árvores em risco, pois o peso mal distribuído pode levar a queda. "A associação entrará em contato com o Ministério Público e com a construtora para analisar o que pode ser feito", afirmou.

O procedimento havia sido autorizado no ano passado pela Prefeitura na área interna da propriedade. Como compensação ambiental, foram solicitados o plantio de mudas de espessura menor e a implantação de calçadas verdes (passeios com jardins). Entretanto, com a suspensão do serviço de corte, a liberação será reavaliada na próxima semana, informou a secretaria em nota.

No ano passado, a Prefeitura de São Paulo não aceitou uma denúncia feita pela Promotoria sobre a derrubada irregular na área, onde funcionava um estacionamento. Segundo ofício enviado ao promotor José Roberto Rochel de Oliveira em março de 2014, vistoria no local não encontrou indícios de que alguma árvore teria sido cortada.

O presidente da AMAM admite que não há irregularidades no processo, mas pondera: "Nessas árvores, muitos pássaros podem ser encontrados na parte da manhã e no fim da tarde. A contrapartida não pode repor o valor sentimental, ambiental e histórico das árvores."

Procurada, a construtora Esser não se manifestou.

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