Prefeitura retira 300 toneladas de granizo na Aclimação

Quantidade de gelo que se acumulou na rua lotou 52 caminhões; será feita 'força-tarefa' para limpar bueiros que ficaram entupidos

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

19 Maio 2014 | 19h38

SÃO PAULO - A Prefeitura retirou nesta segunda-feira, 19, pelo menos 300 toneladas de gelo da Rua Pedra Azul, na Aclimação, zona sul de São Paulo. Até o início da noite, equipes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), de varrição urbana e da Subprefeitura da Sé permaneciam na região para interditar a via, desatolar carros presos no gelo e limpar o local. No domingo, uma chuva de granizo atingiu várias regiões da cidade.

A quantidade de gelo que se acumulou na rua lotou 52 caminhões da Prefeitura. Mas também deixou o bairro com jeito de Europa. Crianças escalavam montes de gelo que o trator da Prefeitura juntava, sentavam em pedaços de papelão como se fossem trenós e escorregavam.

O subprefeito da Sé, Alcides Amazonas, afirmou que a Prefeitura não está preparada para esse tipo de situação. De acordo com ele, será feita uma "força-tarefa" na região para limpar os bueiros que ficaram entupidos de gelo, lama, lixo e folhas de galhos de árvores que caíram durante a tempestade. "O trabalho de limpeza vai se intensificar amanhã para que os bueiros não fiquem entupidos", afirmou.

Durante a manhã, moradores tiravam fotos da névoa gelada que se formava sobre o asfalto. Enquanto isso, marronzinhos da CET usavam pás para cavar o gelo e liberar ao menos 10 carros que ficaram presos.

A artista plástica Lira Ara, de 58 anos, observava os agentes cavando o granizo sob o carro da filha, que atolou no domingo. "Ela me ligou dizendo que o carro tinha atolado na curva. Eu perguntei se era por causa da chuva, e ela me contou que foi o gelo que deixou o carro preso. Fiquei assustada."

O comerciante Ricardo Notolli, de 53 anos, conseguiu estacionar o carro em outra rua. A lanchonete dele, que fica no sobrado onde mora, no entanto, não abriu. "Tem um metro de gelo lá dentro, minhas calhas ficaram entupidas e entrou água nos quartos. Hoje não é possível trabalhar", afirmou.

Notolli guarda em um porta-retrato da sala uma foto registrada em janeiro de 1996, quando uma tempestade acompanhada de granizo também deixou a calçada cheia de gelo. "Foi bastante gelo, mas não que nem agora. E eu considerei normal na época, porque estávamos no verão", disse o comerciante.

Fatores climáticos. O fenômeno, considerado atípico para o outono paulista, foi causado por uma série de fatores climáticos. Duas correntes de ar, ambas úmidas, vindas do Oceano Atlântico (fria) e da Amazônia (quente), se encontraram sobre a capital. "Como o tempo estava quente na superfície da cidade, isso provocou uma forte chuva com granizo", afirmou Helena Turon Balbino, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

No domingo, a temperatura máxima em São Paulo foi registrada às 16h: 25,7ºC. O encontro do tempo abafado com as duas correntes de ar formou nuvens com 12 quilômetros de altura e temperaturas entre - 50ºC e - 40ºC no topo. "O gelo que estava na parte de cima caiu de forma tão rápida que não deu tempo de ficar líquido", explicou a meteorologista.

 

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