ALEX SILVA / ESTADÃO
ALEX SILVA / ESTADÃO

Prefeitura reabre o Vale do Anhangabaú com opiniões divididas entre beleza e utilidade

Área estava cercada por grades e contava com grande presença da Guarda Civil; espaço terá pista de skate e novos pontos de iluminação

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2021 | 12h33

Com 80% da população elegível vacinada com pelo menos uma dose da vacina contra à covid-19, Prefeitura de São Paulo reabriu, neste domingo, 25, o Vale do Anhangabaú, no centro da cidade.  Primeiros visitantes dividiram-se sobre a beleza e utilidade do novo espaço.

Ao menos neste primeiro dia, o Vale esteve cercado por grades. Mesmo sem restrições explícitas à entrada, elas criaram uma fronteira entre os moradores em situação de rua e o espaço. A princípio, a ideia é que as grades sejam retiradas quando a operação do novo Vale estiver normalizada. A presença da Guarda Civil Metropolitana no entorno foi bastante ostensiva.

Entre as novidades, o vale ganhou 850 jatos d’água (com água de reuso), 13 quiosques, assentos, novos pontos de iluminação e  pista de skate ( para prática de street - modalidade que rendeu a primeira medalha olímpica brasileira em Tóquio).

No primeiro dia de abertura, algumas pessoas foram flagradas sem máscara - inclusive uma funcionária terceirizada. Também faltaram totens com álcool em gel, bebedouros e fiscais para garantir a obediência às normas sanitárias.  Para evitar aglomerações, as atividades abertas ao público também serão graduais e ainda com restrições de horário.

Entre as novidades dessa reinauguração  está a exposição “Olhares da linha de frente”, com retratos dos profissionais da saúde que combateram à pandemia. Além disso, os  grupos teatrais Satyros e Pia Fraus organizam visitas guiadas lúdicas ao Vale.

Mas o que os primeiros visitantes acharam do novo Vale do Anhangabaú? “ Um cimentadão sem expressão. Não entendi o que eles estão pensando aqui”, comentou o aposentado Dante Tridico, 89 anos. Apaixonado pela cidade, Tridico garante que já viu melhores versões do Vale.

Outro olhar crítico foi do bombeiro aposentado Claudio Silvano, 49 anos. “ Achei que falta verde. Falta vida e alegria. Imagino que será um ótimo espaço para eventos grandes, como Copa do Mundo e shows. Apesar disso, se cuidarem da segurança, penso em trazer a família para um passeio”, falou.

Opiniões mais positivas também apareceram entre os novos usuários. “ Sinto que o espaço será democrático. Espero ver outros espaços no centro restaurados. É importante que lugares como esse sejam melhorados”, disse o enfermeiro Luciano Clemente Siboldi, 42 anos. “Mas espero que olhem também para o que está acontecendo com a população de rua e a miséria ao redor”, completou.

Mas a mais animada era a aposentada Maria Rita Sobreiro, 67 anos. “Foi a melhor coisa que aconteceu. O centro é um grande museu. Adorei o espaço e pretendo frequentar”, disse.

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) chegou por volta das 10h para uma vistoria. Em entrevista coletiva, ele comemorou a taxa de vacinados e prometeu acertar questões como a falta de bebedouros e falta de totens com álcool em gel.

A reconstrução do Vale teve início em 2019. O projeto foi desenhado pelo escritório dinamarquês de arquitetura Jan Gehl, contratado ainda durante a gestão de Fernando Haddad (PT) na Prefeitura.  Com prazos que não se cumpriram e reinaugurações  adiadas, a administração pública diz ter investido R$ 105,6 milhões na requalificação da área.

As obras do Vale foram finalizadas em outubro do ano passado. Naquela época, a licitação da área foi vencida por uma oferta de R$ 6, 5 milhões do Consórcio Viaduto do Chá, que não entregou os documentos dentro do prazo necessário. Em março deste ano, a administração municipal convocou a Viva Vale, segunda colocada no processo de concessão, para gerir o novo Anhangabaú (pelos próximos 10 anos ).

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