Paulo Liebert/AE-5/7/2007
Paulo Liebert/AE-5/7/2007

Prefeitura quer vender área de usina de asfalto

Alvo constante de reclamações de vizinhos pela poluição, fábrica pode ser transferida para que terreno na Barra Funda seja trocado por creches

Rodrigo Burgarelli e Fábio Mazzitelli, O Estado de S.Paulo

11 Maio 2011 | 00h00

A Prefeitura de São Paulo quer trocar por creches a usina de asfalto da Barra Funda, na zona oeste. Há décadas, o local é alvo de denúncias de dano à saúde de vizinhos, por causa da fumaça e da poluição. A ideia do prefeito Gilberto Kassab (PSD) é fechar a fábrica e vender o terreno de 19,7 mil m² para construtoras interessadas em seu potencial imobiliário. O pagamento não seria feito em dinheiro, mas em creches prontas em outros locais da cidade.

Ontem, no Diário Oficial da Cidade, a Prefeitura anunciou a montagem de uma comissão para estudar quais áreas industriais da capital estão aptas a receber a usina, mas não há prazo para o fim dos trabalhos. A transferência foi pedida pelo Ministério Público Estadual, que propôs a assinatura de um acordo para acabar com a emissão de gases tóxicos, que têm causado problemas de saúde nos moradores do entorno. O complexo produz 2,5 mil toneladas diárias de asfalto para recapear as vias da capital e trabalha dia e noite.

Além da pressão da Promotoria, a transferência da usina de asfalto já havia sido pedida pela Secretaria do Verde e do Meio Ambiente e pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), que já multou o local dezenas de vezes desde 1990. O Estado apurou que a mudança foi definida após o terreno ser incluído no plano de troca de terrenos municipais por creches - tentativa de Kassab de chegar o mais perto possível da meta de zerar o déficit de vagas na rede.

Um projeto de lei de autoria do Executivo que permitirá que o terreno seja alienado deve ser enviado à Câmara nos próximos dias. O valor venal de referência para a área é de R$ 17 milhões, mas há expectativa que a licitação renda bem mais. A antiga usina fica próxima de bairros valorizados, como o Pacaembu.

Comemoração. Às 21h15 de ontem, a 200 metros do endereço da usina, localizada na esquina da Avenida Pacaembu com a Marquês de São Vicente, a corretora de imóveis Aparecida Alves, a Cida, de 52 anos, limpava o quarto da caçula, Sara - uma rotina obrigatória para evitar as crises de bronquite da filha. "Por causa da usina, baixa um pó preto em todas as casas, que cobre o chão, móveis, janelas...", conta. "Ela nasceu aqui e aos 3 meses já começaram a aparecer os problemas respiratórios."

Sara, de 10 anos, toma dois antialérgicos por dia, tem um aparelho de inalação em casa e se trata com homeopatia. Ao saber pela reportagem que a usina, enfim, deve sair da vizinhança, ela pulou e deu um soco no ar, acompanhado de uma fala de alívio da mãe: "Graças a Deus. A médica tinha falado para a gente se mudar, mas não tenho como."

A família de Cida mora há 12 anos na Vila Altieri, uma travessa fechada da Rua do Bosque, com 30 casas e cem moradores. "Minha filha tem rinite. Toda família tem algum tipo de problema por causa da usina", diz a comerciante Nailda Anunciação, de 42 anos.

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