PREFEITURA QUER QUE EMPRESA FAÇA CRECHE

Ideia é incentivar setor privado a abrir vagas para cumprir promessa de Fernando Haddad

Entrevista com

ADRIANA FERRAZ , PAULO SALDAÑA, O Estado de S.Paulo

25 Janeiro 2013 | 02h03

A Prefeitura de São Paulo vai convocar empresas "com responsabilidade social" para construir creches e ajudar a cumprir a promessa de acabar com a fila por vagas na rede municipal. Em entrevista à TV Estadão, o secretário municipal da Educação, Cesar Callegari (PSB), disse que a Prefeitura orientará empresas a montar centros de educação infantil para atender não apenas filhos de funcionários, mas crianças do entorno. Em troca, vai ajudar na manutenção, com repasses mensais de verba.

A proposta de Callegari é mais uma tentativa de atrair a iniciativa privada para acabar com o déficit por creche, um dos principais desafios do Município. Calcula-se que 150 mil crianças estejam na fila por uma matrícula. Na gestão passada, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) chegou a propor a venda de áreas públicas para levantar recursos e até elaborou um projeto de Parceria Público-Privada (PPP). Ambos não avançaram.

Enquanto tenta convencer empresários a colaborar, o secretário busca terrenos para colocar em prática o compromisso de construir 172 creches próprias. Ontem, ele afirmou que 98 áreas já foram identificadas para receber as primeiras unidades. Parte delas é de propriedade do Metrô, que deve cedê-las a partir de convênios.

Nesta semana, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) prometeu R$ 45 milhões para a cidade. O Ministério da Educação deve repassar R$ 200 milhões. A presidente Dilma Rousseff reforçará hoje a intenção de custear parte das obras em cerimônia de homenagem aos 459 anos da cidade de São Paulo.

Os terrenos selecionados ainda poderão ser usados para a construção de Centros Educacionais Unificados (CEUs), uma das marcas da gestão petista de Marta Suplicy (2001-2004). Foram prometidas 20 novas unidades na campanha eleitoral, que não necessariamente seguirão o modelo dos 45 já existentes. "A sugestão do prefeito é que se usemos equipamentos já existentes, como uma biblioteca ou um clube-escola, e adaptá-los como um CEU."

Progressão. Além de garantir o atendimento em educação infantil, o novo secretário tem o desafio de melhorar a qualidade do ensino público em São Paulo. A rede municipal não conseguiu bater as metas no último Índice de Desenvolvimento da Educação (Ideb).

Ousado, Callegari prevê saltos no desempenho ainda neste ano. "Teremos uma Prova Brasil (avaliação federal que compõe o Ideb) neste ano e eu garanto que não estaremos na rabeira. Ficaremos no pelotão de frente", assegurou. "Não posso me conformar, como cidadão, que o Município esteja em 35.º lugar entre os 39 municípios da Região Metropolitana."

O secretário não defende uma revolução no sistema, mas uma ação que garanta um funcionamento ideal dos projetos. "Sou contra pirotecnia na Educação. Ensino de qualidade se faz com trabalho, com foco. Temos de definir claramente a questão curricular e os direitos de aprendizagem em cada momento."

A grande mudança, por enquanto, está prevista na divisão de ciclos do ensino fundamental. A ideia é criar um ciclo a mais, a partir do 3.º ano, com possibilidade de repetência - a gestão anterior e o governo do Estado já anunciaram propostas semelhantes, que não se efetivaram. Hoje, o primeiro ciclo acaba no 5.º ano e o último, no 9.º - momentos quando os alunos podem ser reprovados dentro do programa de progressão continuada. "Não será uma proposta para represar alunos, mas para dar foco na alfabetização." Hoje, dados oficiais indicam que 27% dos alunos chegam ao 5.º ano sem estar 100% alfabetizados.

Sobre a relação com os professores, ele promete manter o diálogo aberto e, pelo menos por enquanto, não mexer no bônus anual - embora não simpatize com a política. "Não será descontinuado sem debate. Na minha opinião, tem de haver reconhecimento, mas o professor não precisa de prêmio e dinheiro dessa maneira para trabalhar bem."

Uniformes. Callegari anunciou que os contratos da secretaria serão revisados com o objetivo de "enxugar gorduras" e evitar atrasos em seu cumprimento. O primeiro acordo em análise é o que prevê a entrega de kits e uniformes escolares, que tradicionalmente rende problemas à pasta. O secretário disse que assim que assumiu o cargo iniciou uma negociação com as empresas para reduzir o problema. Mas reconheceu que ainda haverá atrasos, pelo menos neste ano. O ano letivo começa no dia 6 de fevereiro e, segundo Callegari, o material chegará até o fim deste mês.

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