Werther Santana/AE
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Prefeitura quer polo hoteleiro na Barra Funda

Na revisão da Operação Água Branca, Kassab incluirá série de estímulos ao setor

Diego Zanchetta e Rodrigo Burgarelli - O Estado de S. Paulo,

28 Setembro 2012 | 22h30

SÃO PAULO - A Prefeitura de São Paulo quer que a região da Barra Funda se torne um novo polo de atração de empresas interessadas na construção de hotéis. Essa proposta será incluída no projeto de lei que o prefeito Gilberto Kassab (PSD) pretende enviar à Câmara Municipal até o fim do seu mandato, em dezembro, para revisar a Operação Urbana Água Branca.

Atualmente, não existem instrumentos específicos para a construção de hotéis dentro desse perímetro, o que será modificado com a nova legislação. Uma das propostas estudadas, segundo apurou o Estado, é que áreas comuns, como saguões ou restaurantes, não sejam contadas como área computável - e, assim, não sejam usadas para cálculo de vagas de estacionamento ou do valor da outorga a ser pago pelas construções aprovadas, por exemplo.

A justificativa é de que, como a região é alvo de um adensamento, seria saudável para esse processo que atividades como a hoteleira também fossem desenvolvidas. Para o mercado imobiliário, a região é interessante, pois fica próxima de vários pontos de entrada da cidade - como as Rodovias Bandeirantes e Castelo Branco -, da Marginal do Tietê e do centro e da Avenida Paulista.

Além disso, o governo estadual pretende fazer um grande hub ferroviário na Estação Água Branca da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), que deverá receber trens vindos de Jundiaí. "Essa região da Barra Funda está sofrendo uma transformação. Você tem vários prédios de escritórios prontos ou sendo construídos, e isso atrai demanda de profissionais que vêm trabalhar ou fazer reuniões nessas empresas", explica Paulo Aridan, diretor regional da Odebrecht Realizações Imobiliárias, que vai construir o primeiro hotel da região.

Crítica. A principal crítica dos especialistas, porém, é que os investimentos previstos têm demorado para sair do papel. O caixa da operação urbana dobrou em dois anos, chegando a R$ 157 milhões agora, mas as principais obras previstas - como as de prevenção de enchentes na Pompeia - não saíram do papel. "Essa área tem vários vazios e, desde a década de 1990, víamos potencialidades ali. Por isso, o Plano Diretor previu um grande projeto urbano para aquela área, para criar condições adequadas para as transformações, seja no aspecto urbano, nos transportes ou nas enchentes. Mas essas intervenções não estão sendo feitas, enquanto o adensamento está", afirma o urbanista Kazuo Nakano, do Instituto Polis.

Segundo ele, a cidade está perdendo uma grande oportunidade. "Estamos colocando a carroça na frente dos bois. O ideal é o poder público ir na frente, definir o tipo de ocupação, fazer os investimentos necessários e aí receber as contrapartidas dos investidores."

A Prefeitura informou que já investiu R$ 23,1 milhões em obras de acessibilidade e as de drenagem esperam apenas a licença ambiental.

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