Prefeitura quer fechar Rua 25 de Março para veículos

Jilmar Tatto diz que proposta será discutida com lojistas da região; entidade que representa os comerciantes afirma ser contra ideia

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

06 Setembro 2014 | 03h00


SÃO PAULO - A Prefeitura de São Paulo quer fechar para o trânsito a Rua 25 de Março, na região central, e outras vias no entorno, segundo o secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto. Até o final deste mês, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) ainda vai instalar um trecho de ciclovia em uma das principais ruas de comércio popular da América Latina. 

Segundo Tatto, a ideia é fazer na via o que foi implementado no final de agosto na Rua Santa Ifigênia, outra importante via de comércio popular especializada em vender eletroeletrônicos e aparelhos de som. 

Todos os sábados, das 6h às 15h, a via é fechada entre a Rua General Osório e a Avenida Ipiranga. Caminhões, automóveis e motos ficam proibidos de circular. “A experiência da Santa Ifigênia está tendo êxito. O caso da Rua 25 de Março é uma aberração”, afirmou Tatto. 

Ele também estuda fechar as Ruas Boa Vista, Florêncio de Abreu e Sete de Abril. “Já pedi para fazer uma reunião com os comerciantes. Eu acho que os próprios lojistas não gostariam que os carros passassem”, disse. A média diária de pedestres na Rua 25 de Março é de 400 mil pessoas. 

Ainda de acordo com Tatto, a o tráfego de carros de passeio se confunde com os veículos de carga e descarga além dos ônibus de turismo que diariamente levam comerciantes de todas as regiões do Brasil para lá.

A discussão não é nova. Em 2004, a ex-prefeita Marta Suplicy (PT) também estudou o fechamento da rua após revitalizar a região. A ideia não avançou. Durante a gestão do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), a proposta foi debatida outra vez.

Foi ele quem começou interditar a rua durante o final do ano, quando a região recebe milhões de consumidores. Nas semanas que antecedem o Natal, o impacto de pessoas na via trava o Corredor norte-sul. 

O trânsito fica congestionado em filas de mais de 10 quilômetros que vão dos acessos para a Rua 25 de Março até o Aeroporto de Congonhas, na zona sul. Nesta época, a região costuma receber mais de 1 milhão de pessoas por dia. 

Além de estudar novamente o fechamento da via, Tatto vai implementar ainda neste ano um plano piloto para incentivar as atividades de carga e descarga durante a madrugada. 

Contra. A ideia de Tatto, no entanto, não deve agradar os lojistas da região. Segundo Claudia Hurias, assessora executiva da União dos Lojistas da Rua 25 de Março e Adjacências (Univinco), os comerciantes precisam da rua aberta. 

“Atrapalharia por causa do problema da carga e descarga. As lojas são reabastecidas diariamente e o dia inteiro em épocas de grande movimento”, explicou. Hoje as entregas se concentram na Rua Comendador Abdo Schahin. A via é uma paralela à Rua 25 de Março. 

“Tem dias que não tem espaço em nenhuma das duas ruas. A quantidade de vagas é pouca”, explicou Claudia. “A região também tem o problema de não ter espaço físico. A situação, o perfil das lojas e a quantidade de pessoas são completamente diferente do que acontece na região da Santa Ifigênia”, disse.

De acordo com ela, caso a Prefeitura insista na ideia, a associação que representa os 3.800 lojistas da região, com 40 mil funcionários, vai entrar na Justiça para impedir o fechamento da rua. A entidade também é contra a ciclofaixa. 

Mais conteúdo sobre:
São Paulo25 de março

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.