Prefeitura quer fazer moradias em terreno de favela incendiada em SP

Área será desapropriada pela administração municipal; proposta será apresentada aos interessados durante esta quarta-feira, 10

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

10 Setembro 2014 | 11h41

SÃO PAULO - O prefeito Fernando Haddad (PT) informou nesta quarta-feira, 10, que desapropriará o terreno onde antes estava Favela do Piolho, no Campo Belo, zona sul da capital paulista. O plano da administração municipal é construir 500 unidades habitacionais e oferecê-las às famílias afetadas pelo incêndio, que destruiu o local no domingo passado, 7

"Ontem, tomamos uma decisão. Pretendemos desapropriar aquele terreno onde houve o incêndio para construir 500 unidades habitacionais", disse Haddad. Enquanto o trâmite de desapropriação não é oficializado e as obras não começarem, o prefeito afirmou que concederá bolsa-aluguel aos moradores da área.

A proposta será apresentada nesta quarta-feira aos moradores, com a orientação de que eles não ocupem novamente o terreno e aguardem a construção das moradias. O prefeito esclareceu que a desapropriação acontecerá no âmbito da Operação Urbana Água Espraiada. O terreno só não havia sido incluído na operação anteriormente porque estava ocupado pelas famílias, disse Haddad.

O prefeito acredita que o processo de desapropriação e construção das moradias se estenda entre 18 e 24 meses. 

Um incêndio de causas ainda desconhecidas destruiu quase a totalidade de casas e barracos da Favela do Piolho, localizada na Avenida Jornalista Roberto Marinho. As chamas se espalharam rapidamente, e só houve tempo para que os moradores saíssem de casa e salvassem parte dos pertences.

Essa foi a segunda vez em dois anos que a comunidade foi destruída em razão de um incêndio. Em setembro de 2012, ocorrência similar havia sido registrada.

O Ministério Público Estadual (MPE) informou na segunda-feira, 8, que pretendia acionar criminalmente a Prefeitura na Justiça. A intenção do MPE era explicada por uma suposta falta de providências da Prefeitura em evitar o crescimento da comunidade, que já apresentava sinais de que incêndios podiam se repetir, e em oferecer habitação adequada aos moradores. Um inquérito civil é conduzido para apurar a regularidade da ocupação na área.

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