Felipe Rau/AE-6/6/2010
Felipe Rau/AE-6/6/2010

Prefeitura pede ''roupas discretas'' na Parada Gay

Material recomenda ''discrição'' a participantes, principalmente nas estações de metrô; ''cada um é gay do seu jeito'', rebate associação

Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2011 | 00h00

Com que roupa ir à Parada Gay? A Prefeitura de São Paulo produziu um material com recomendações de discrição a quem vai assistir ou participar da 15.ª Parada do Orgulho LGBT neste domingo na Avenida Paulista.

Totem feito pela São Paulo Turismo (SPTuris) para a campanha "Parada Limpa" - de fiscalização e controle urbano no evento - foi exposto ontem na sede da Prefeitura e orientava manifestantes a usar roupas pouco chamativas. "Compre seu bilhete de Metrô antecipadamente e evite o uso de fantasias mais "ousadas" nas dependências do Metrô." Na versão em inglês, lia-se: "Avoid to wear "scandalous" costumes at the internal Subway dependences (Evite vestir trajes escandalosos nas dependências internas do Metrô)."

Outras frases recomendam uso de roupas leves e confortáveis, inclusive agasalhos, por causa do frio nesta época. A Prefeitura também diz para homossexuais e simpatizantes andarem em grupos e evitarem celulares, câmeras e objetos de valor, além de não consumirem bebidas de ambulantes e jogarem lixo nas 1.200 lixeiras e três postos de coleta seletiva que serão instalados no percurso da passeata.

A Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo, que organiza o evento, disse que não foi consultada sobre a elaboração dos comunicados.

"Esse material pertence à Prefeitura, não à Parada," afirmou o presidente da entidade, Ideraldo Beltrame. Ele reprovou os conselhos, apesar de acreditar que o material será usado somente para divulgação interna: "A gente também faz essa recomendação para andarem em grupos, sempre acompanhados e não facilitarem. Agora, com relação ao uso de roupas ou comportamento das pessoas, a gente não gosta muito de determinar ou tratar com estatutos o que as pessoas devem vestir ou como devem comportar-se. Ao contrário, a gente acha que é a celebração do orgulho de ser gay. Cada um é gay do seu jeito."

Segurança. O prefeito Gilberto Kassab (sem partido) não acredita que possa haver confrontos entre grupos homofóbicos e intolerantes, como os skinheads, e os participantes da parada. " Já tivermos diversas edições da parada, mas temos a Polícia Militar lá," disse. A Guarda Civil Metropolitana também deve reforçar o esquema de segurança.

Para a associação, porém, há pontos vulneráveis para ataques contra homossexuais. "O entorno é o grande perigo. Principalmente quando as pessoas estão em pequenos grupos, andando sozinhas, isoladas. Temos um planejamento para que não se crie situações que possam facilitar esses ataques. Nesse sentido, a preocupação com o encerramento é crucial, porque as pessoas vão se dispersar e aí não há mais grandes grupos." O show de encerramento - marcado para as 19 h na Praça da República - foi cancelado.

A expectativa da Prefeitura é que mais de 3 milhões de pessoas participem desta 15ª edição da parada.  

 

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