Prefeitura não pediu nenhuma licença à Cetesb

Vizinho de frente do aterro, o aposentado Walter Nunes ficou revoltado ao ler o parecer técnico da Prefeitura de Cotia. "Como eles podem falar que aqui não existe ninguém? Há mais de cinco bairros em volta", afirma. O arquiteto José Cerqueira mora no Residencial Santa Paula, uma área que futuramente pode ter vista para o lixão. "O problema não é só o mau cheiro, mas também a questão ambiental."

Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2010 | 00h00

A zootécnica Andréa Kober, que mora e trabalha no entorno do terreno, critica a falta de visão da Prefeitura. "O mundo inteiro sabe que não se constrói mais aterro. Isso é ultrapassado."

Autorizações. O decreto que garante a construção do aterro foi assinado pelo prefeito de Cotia, Antonio Carlos Camargo, em julho do ano passado - e revogado pelo próprio em março deste ano, após mobilizações de ONGs da região e moradores. Em maio, Camargo assinou um novo decreto reautorizando a obra.

No último mês, o promotor Luiz Otávio Lopes Ferreira, da Promotoria de Justiça de Cotia, recebeu uma denúncia de que haveria uma tentativa de desmatamento ilegal na área do aterro no sábado, dia 30. "Oficiei imediatamente a Prefeitura Municipal de Cotia e a Polícia Militar Ambiental, alertando-os de suas obrigações legais de impedir o dano ambiental", disse.

A Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) informou que a Prefeitura de Cotia não protocolou nenhum pedido de licença até agora. Questionada sobre o fato de o futuro aterro ficar proximo à Represa Pedro Beicht, na bacia hidrográfica do Rio Cotia, a Sabesp informou que "a decisão de fazer a obra ou não é do empreendedor".

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