SERGIO CASTRO/ESTADÃO
SERGIO CASTRO/ESTADÃO

Prefeitura muda plano e decide pôr ciclovia nos 2 sentidos da Consolação

Novo trecho ligará a Praça Roosevelt à zona sul; a restrição deve ser implementada assim que obras na Paulista forem concluídas

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

22 de maio de 2015 | 03h00

(Atualizada às 11h35)

SÃO PAULO - A gestão Fernando Haddad (PT) vai estender a rede cicloviária da cidade por toda a Rua da Consolação, da Praça Roosevelt à Avenida Paulista, no centro, e da Paulista à Rua Estados Unidos, nos Jardins, zona sul. O cronograma de instalação da via não está fechado, mas a implementação deve começar tão logo fique pronta a obra em curso na Paulista.

O serviço não inclui intervenções urbanísticas, como estão sendo feitas na Paulista. Serão vias segregadas comuns, com sinalização de solo indicando o uso proibido para automóveis. Antes mesmo de sair do papel, porém, já provoca polêmica.

“A surpresa é sempre desagradável. A informação não chega por completo, vem sempre atravessada. A ciclovia pode ter grande valia, mas precisa ser discutida com a sociedade”, afirma a advogada Célia Marcondes, representante da Sociedade dos Amigos, Moradores e Empreendedores do Bairro Cerqueira César (Samorcc). “É um descontentamento total. Tudo o que é imposto é ruim”, lamenta Célia.


No trecho sentido centro, onde a Consolação tem pista dupla, o projeto ainda está em fase mais embrionária. Foi definido que a via sairá da Paulista e chegará à Rua Rego Freitas, que também tem sinalização para ciclovia.

Com esse trecho, mais as obras em andamento na Avenida São João, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) prevê que o ciclista seja capaz de circular da Avenida Paulista até o Terminal Rodoviário da Barra Funda, na zona oeste, sem deixar as faixas exclusivas, consideradas mais seguras. 

“Esse projeto está em estudo com a área operacional. Será decidido se haverá uma faixa unidirecional de cada lado ou não, e onde ela vai estar, porque ali tem uma via exclusiva para ônibus”, explica o arquiteto Ronaldo Tonobohn, superintendente de Planejamento da CET, responsável pelo projeto. 

Jardins. O projeto no sentido Jardins, que foi definido no ano passado, está mais adiantado. “Para o lado dos Jardins, da Alameda Jaú até a Rua Honduras, já temos a definição pela Consolação. O que estamos estudando ainda é o trecho da Jaú até a Paulista. Estudamos se a conexão (com a Avenida Paulista) será por ali. Há uma grande tendência de que seja pela própria Consolação, mas ainda estudamos se será por um outro eixo”, explica o arquiteto.

No caso do lado dos Jardins, a obra prevê a retirada da faixa hoje usada para estacionamento. 


O secretário municipal de Transporte, Jilmar Tatto, pretende financiar a nova via com recursos obtidos de polos geradores de tráfego. É uma verba arrecadada pela Prefeitura de empreendimentos que atraem muitos carros. “Mas ainda estamos negociando, sem definição”, disse Tatto. Se não conseguir a verba, a obra será custeada pelo Tesouro municipal, como as demais rotas.

A malha cicloviária de São Paulo tem 326,6 quilômetros - 200 km foram feitos na gestão Haddad.

Visão técnica. O engenheiro civil Creso de Franco Peixoto, especialista em trânsito, aponta entraves técnicos à instalação da ciclovia da Rua da Consolação. “A Consolação é um ‘cluster’, uma rua que concentra um grande número de comércios do mesmo tipo (iluminação), e se caracteriza por ser o destino final de muitas viagens. Há muitas intervenções na via”, afirma Peixoto, professor da Fundação Educacional Inaciana (FEI). Essa característica, explica, faz com que muitos carros cruzem a futura faixa exclusiva. “Dá para fazer, mas há uma série de cuidados.”

Outra questão levantada por ele é com relação à inclinação da via. “É até uma questão social. A pessoa com bicicleta mais barata e pesada não consegue vencer a rampa.” 

O consultor de mobilidade e ciclista Daniel Guth concorda em partes com o argumento de Peixoto, mas faz outras observações. “O ciclista  pode usar outras vias como rampas, ruas paralelas", diz. Dessa forma, evita trechos mais inclinados. Ele afirma que "vale lembra que o ciclista não é obrigado só a usar a ciclovia". E cita como exemplo a Rua Augusta, com todos os seus atrativos. "Vou continuar pedalando ali mesmo com ciclovia, porque gosto".

Guth ressalta, por outro lado, que vias como a Rua da Consolação, de trânsito pesado, são as que as ciclovias são mais necessárias. "As ciclovias são necessárias nas vias em que há conflito (com o carro)". Ele afirma que as ruas menores, onde a velocidade máxima permitida já é de até 50 km/h, oferecem mais chance de compartilhamento entre carros e bicicletas. "Na Consolação, o limite é 60 km/h", afirma, destacando que, na avaliação dele, toda a cidade deveria ter um limite menor, para evitar acidentes fatais envolvendo tanto ciclistas quanto pedestres.

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