Werther Santana/AE
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Prefeitura mantém linha dura e camelôs prometem novos protestos

Comerciantes dizem que só querem trabalhar e reclamam que repressão no Brás começou sem aviso; polícia reforça efetivo na região

Felipe Frazão e Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo,

26 Outubro 2011 | 22h00

A série de confrontos registrada entre ambulantes e policiais militares no Brás, zona central de São Paulo, deve continuar. A Prefeitura afirmou que vai manter a postura de repressão aos camelôs irregulares no entorno da Feirinha da Madrugada. Eles, por sua vez, prometem armar barracas hoje às 4h, de qualquer maneira. Ontem, embates entre a polícia e cerca de 300 manifestantes deixaram lojas e escolas fechadas por horas.

Os protestos dos ambulantes começaram na madrugada de anteontem, como reação ao endurecimento das operações da Polícia Militar no entorno do Pátio do Pari, onde milhares de visitantes de outras cidades e Estados compram diariamente tecidos e outros produtos. Homens da corporação trabalham desde maio no local, combatendo o comércio irregular na chamada “Operação Delegada” - para isso, recebem um complemento salarial pago pelo Município.

A operação começou ao Brás no início do ano passado, quando camelôs sem permissão da Prefeitura foram retirados da área durante o dia. Desde segunda-feira, essa ação foi ampliada para o período noturno, quando cerca de 7 mil pessoas trabalham diariamente de maneira irregular. Cerca de 400 policiais por turno agora ficarão diariamente na região por tempo indeterminado, até que os protestos acabem.

Sem aviso. A principal reclamação dos comerciantes é a falta de aviso para o início da repressão. “Avisaram na sexta e na segunda já não nos deixaram trabalhar. Como tanta gente vai encontrar um emprego da noite para o dia?”, pergunta Vágner Barros, do Sindicato dos Ambulantes Independentes. Procurada, a Prefeitura nega. “Assumimos a Feirinha no fim do ano e temos alertado os irregulares sobre o aumento da fiscalização desde o início”, garante o secretário municipal de Coordenação das Subprefeituras, Ronaldo Camargo.

Outro ponto em que camelôs e Prefeitura não se entendem é em relação aos bens vendidos. Comerciantes dizem que a maioria comercializa produtos legais, como roupas e tecidos produzidos nas confecções do Bom Retiro, mas a PM afirma que apreende principalmente pirataria e contrabando dos comerciantes que trabalham de madrugada.

Vereadores da oposição criticaram a repressão e pediram mais tempo. “A Prefeitura está sendo intransigente. Nossa proposta era conseguir algum lugar alternativo para que eles ficassem pelo menos até o fim do ano, até que conseguissem regularizar-se”, diz José Américo (PT).

Camargo confirma que não haverá novo prazo. Mas afirma que a Prefeitura abriu linhas de crédito e programas de incentivo para que os ambulantes se regularizam e aluguem uma loja.

Região é o último reduto irregular de ambulantes

Por trás da repressão aos camelôs está em jogo a liberação do último grande bolsão de comércio irregular na capital. Desde o início da Operação Delegada na cidade, em dezembro de 2009, todas as outras zonas de camelôs foram extintas, como na Rua 25 de Março, no Largo da Concórdia e no Largo 13.

Como a Prefeitura não emite novas permissões para camelôs há anos, vários desses ambulantes acabaram indo para o último reduto sem fiscalização, a Feirinha da Madrugada. Desde 2010, o número de trabalhadores nas ruas e calçadas do Brás passou de 8 mil para 12 mil, segundo o sindicato dos ambulantes. Por isso, os camelôs estão ainda mais preocupados com a promessa da Prefeitura de acabar com o comércio irregular ali, pois não terão nenhum outro lugar para montar as tendas. 

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