Prefeitura manda retirar intervenções de ruas de São Paulo

Instalações publicitárias desrespeitam a Lei Cidade Limpa, alega a administração; empresa contesta

Vitor Sorano, Jornal da Tarde,

15 de julho de 2009 | 11h41

Palavras gigantes foram colocadas em pontos como a Praça da Sé. Foto: Sérgio Castro/AE

 

Alegando desrespeito à Lei Cidade Limpa, a Prefeitura mandou retirar as três palavras gigantes instaladas domingo na capital. Os termos "Calma", "Relaxe" e "Descanse", colocados em três pontos movimentados, são usados em uma campanha publicitária de tevê da fabricante de cosméticos Natura.

 

A empresa negou que tenha buscado uma brecha na lei que restringe a publicidade, a qual afirmou defender. Ao mesmo tempo, fala em momento para discussão sobre os limites de interferências urbanas. O estúdio BijaRi, empresa de filmes publicitários e "um centro de criação de artes visuais e artísticos", foi procurado durante todo o dia, mas não se manifestou. No entanto, retirou a peça instalada na zona sul. As outras duas foram levadas pela Prefeitura.

 

As palavras "Calma", "Relaxe" e "Descanse" foram instaladas na Praça da Sé (centro), no Centro de Cultura Judaica (zona oeste) e no Museu Brasileiro de Escultura (zona sul). Fazem parte de um projeto batizado de "São Paulo Poesia Concreta" pelo Bijari.

 

Campanha

 

A campanha publicitária da Natura, que usa essas palavras, foi veiculada segunda na TV. Na primeira das três cenas, um luminoso exibe "Relaxe" com uma avenida movimentada ao fundo. Na segunda, o neon mostra "Calma" também com trânsito como cenário. "Descanse" surge na fachada de um prédio de calçadão.

 

"As palavras são as mesmas. Ela (a campanha) não usa tipologia (estilo das letras), não adota as imagens. Está bastante descolada (da intervenção na cidade)", explicou o diretor de assuntos corporativos e relações governamentais da Natura, Rodolfo Guttilla. "Trata-se de uma evidente ação publicitária que desrespeita a lei", disse o prefeito Gilberto Kassab.

 

Enquanto a Prefeitura determinou a retirada, a Natura afirmou ter tomado a mesma decisão, por conta da diferente interpretação.

 

Integrante da Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU) - que fiscaliza o Cidade Limpa -, Regina Monteiro disse não ser possível provar a ligação entre a propaganda e a intervenção. Por isso, foi pedida só a remoção das estruturas - sem multa - por falta de autorização para uso dos espaços no período em que ocorreu. "É uma evidência, mas não se pode comprovar", disse.

 

Kassab foi mais incisivo: "A CPPU foi, evidentemente, induzida a erro pelos autores da iniciativa ao pedir autorização, com aparente má fé". A Corregedoria do Município vai investigar o caso.

 

A Companhia de Engenharia de Tráfego disse que as peças das zonas oeste e sul estavam autorizadas. O Conpresp, de patrimônio histórico, afirma que houve irregularidade no caso da Praça da Sé, pois não foi aguardado seu parecer sobre o assunto.

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