Prefeitura lança plano antienchente, mas obras só sairão depois do verão

Primeira fase prevê 31 ações de microdrenagem em oito regiões; lista inclui construção de bocas de lobo, galerias e muros de contenção

ADRIANA FERRAZ , FELIPE FRAZÃO, O Estado de S.Paulo

19 Dezembro 2011 | 03h02

Considerado essencial para reduzir o número de ruas da capital que sofrem com alagamentos crônicos, o investimento em obras de microdrenagem ficou para o último ano da gestão Gilberto Kassab (PSD). Mas o novo plano antienchente da Prefeitura, obtido com exclusividade pelo 'Estado', só deve trazer benefícios à cidade no verão de 2013. Até lá, as 130 vias mapeadas como críticas continuarão sob risco de encher.

A primeira fase do Programa de Redução de Alagamentos (PRA) lista 31 intervenções em oito regiões com histórico de enchentes: Lapa e Jaguaré, na zona oeste, Ermelino Matarazzo, Itaim Paulista, Itaquera, Vila Formosa e Mooca, na leste, e Capela do Socorro, na sul. O conjunto de obras tem custo estimado de R$ 50 milhões e inclui construção de galerias pluviais, bocas de lobo e muros de contenção em margens de córregos.

Elaborado pela Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras (Siurb), o programa não prevê intervenções que exigem remoção e remanejamento de moradores. Nem obras maiores, como canalização de córregos, que já são feitas em paralelo pela gestão. A primeira fase será licitada em janeiro e tem prazo de 6 meses de execução. A estimativa é investir R$ 130 milhões em serviços de microdrenagem.

O mapeamento priorizou ruas e avenidas com alagamentos reincidentes ao longo de mais de dez anos. Ele foi obtido a partir do cruzamento de informações registradas pelas subprefeituras e pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). As intervenções têm tamanhos e custos variados - vão de R$ 200 mil a R$ 7 milhões.

Mas a própria Prefeitura admite que os investimentos não resolverão por completo o problema das enchentes. Quando prontas, as obras devem reduzir a frequência com que as vias selecionadas alagam e até o tempo em que ficam cheias, mas não impedir que a enchente ocorra. "Se uma rua ficava alagada por meia hora, depois da obra ficará cheia por 5 minutos e talvez dê para passar", diz o superintendente substituto de obras da Siurb, Gilberto Ulanin.

A intenção, segundo o secretário de Infraestrutura Urbana e Obras, Elton Santa Fé Zacharias, é pelo menos minimizar transtornos enfrentados por moradores das vias identificadas no programa. "O PRA pretende remover alguns pontos críticos e reincidentes de alagamento", diz.

Drenagem. A execução de pequenas obras de drenagem vai contra a política adotada nos últimos dez anos para combater enchentes em São Paulo. Nesse período, a verba municipal foi empenhada em grandes obras, como a construção de piscinões e canalização de córregos. O Estado também seguiu a tendência - só o aprofundamento da calha do Rio Tietê para evitar seu transbordamento em dias de chuva custou R$ 3 bilhões.

Mas, segundo especialistas, os altos investimentos foram consumidos pelo constante processo de impermeabilização da cidade. A criação de avenidas ou faixas de tráfego (como as novas pistas da Marginal do Tietê) e o boom imobiliário determinam o prazo de validade das obras, cada vez mais curto. Só neste ano, por exemplo, o Tietê, mesmo com a calha mais funda, transbordou três vezes.

Em algumas ruas de bairro, porém, pequenas intervenções podem funcionar. A implantação de uma simples boca de lobo ajuda a dar vazão à água acumulada das chuvas. O mesmo resultado é obtido com a ampliação de uma galeria pluvial já defasada. Nos dois casos, porém, a boa drenagem depende da manutenção dos equipamentos, que não podem estar sujos.

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