Prefeitura investiga desvios de mercadorias apreendidas de camelôs

Administração municipal lacrou galpão na zona norte com 52 milhões de itens

Artur Rodrigues, Estadão

21 Março 2013 | 19h32

SÃO PAULO - A Prefeitura de São Paulo investiga suspeita de irregularidades e desvio de produtos apreendidos de camelôs e shoppings populares na gestão de Gilberto Kassab (PSD). A administração municipal afirmou que no início do ano teve de lacrar um galpão na zona norte usado para armazenar a mercadoria recolhida. No local, onde há 52 milhões de itens, a Prefeitura encontrou indícios de desvio dos dos produtos. Havia diversos sacos de mercadorias rasgados e lacres violados. Além disso, segundo a administração municipal, os produtos não estavam devidamente catalogados.

O secretário municipal da Segurança Urbana, Roberto Porto, comunicou o Ministério Público sobre o assunto. “Isolamos o galpão, trocamos a vigilância, fizemos recontagem dos produtos”, disse Porto. A Polícia Civil também foi comunicada de furtos de materiais.  Ele também relatou que havia irregularidades na forma como os produtos eram apreendidos, diretamente pela Guarda Civil Metropolitana (GCM).

“Apreensão em local privado é de atribuição da polícia, mediante autorização judicial”, disse. Ele afirma que a GCM continuará fazendo apreensões de pirataria em locais públicos.

De acordo com a definição da Justiça, diz Porto, o material apreendido será destruído ou devolvido aos seus donos. O depósito e a manutenção custam à Prefeitura cerca R$ 1,5 milhão ao ano.

As apreensões de produtos piratas e vendidos por camelôs eram uma das bandeiras da administração de Kassab. O ex-titular da pasta de Segurança Urbana, Edsom Ortega, afirma que o processo era feito com transparência, sob anuência de um comitê formado por Ministério Público e Polícia Civil. “Não era nada isolado. Os advogados do esquema do crime sempre tentaram dizer que a ação desse comitê era ilegal, tentaram na Justiça, Promotoria e não tiveram sucesso”, afirmou Ortega.

O ex-secretário também afirma que as destruições dos produtos eram comunicadas no Diário Oficial do Município. Segundo ele, os frutos de apreensões eram destruídos e reciclados. quase 18 milhões de itens foram destruídos e reciclado. E o restante, 9 milhões, estava avançada de tramitação para o processo de reciclagem”, disse.

Ortega também afirmou que, em caso de desvio de produtos no galpão, os eventuais crimes devem ser investigados. “O depósito era todo monitorado, se teve desvio, pegue as gravações e apure”, afirmou.

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