Prefeitura fecha Café Millenium por falta de alvará na zona sul

Dez clientes, 10 garotas e 5 funcionários, entre eles o gerente da casa, foram levados para delegacia

Andressa Zanandrea, do Jornal da Tarde,

31 de agosto de 2007 | 06h32

A casa noturna Café Millenium, localizada na Rua Coronel Diogo, na região do Cambuci, foi lacrada por volta das 21 horas de quinta-feira, 30, em uma operação conjunta entre agentes do Grupo de Operações Especiais (GOE), da Polícia Civil, Ministério Público Estadual e fiscais da Subprefeitura do Ipiranga. A ação acontece após a Prefeitura ter decidido fechar outra boate acusada de incentivar a prostituição, o Bar Bahamas, do empresário Oscar Maroni.  Segundo as autoridades envolvidas na ação, o Café Millenium foi fechado por apresentar características de casa de prostituição e não ter alvará de funcionamento. Os policiais também descobriram que um hotel ao lado da boate era usado para a realização dos programas entre clientes e prostitutas. O estabelecimento será multado em R$ 50 mil por falta de alvará, sendo R$ 25 mil para a boate e R$ 25 mil para o hotel que funciona no local. Detidos No momento em que a casa foi lacrada, 200 clientes estavam no local. Dez clientes, 10 garotas e 5 funcionários, entre eles o gerente da casa, foram levados para uma delegacia no centro da cidade. Também foram encontrados indícios de que parte do segundo subsolo do imóvel era usada como alojamento. "É provável que garotas que vieram de outros Estados ou do interior de São Paulo ficassem aqui", disse o promotor de Justiça José Carlos Blat. Há suspeita de que divisórias eram usadas para delimitar pequenos quartos, mas quando os policiais chegaram no local havia apenas marcas nas paredes, um banheiro coletivo vazio, alguns armários e camas, além de avisos pregados nas paredes. Um deles dizia ser proibido receber visitas nos quartos e pedia o máximo de silêncio até as 14 horas. O outro avisava sobre exames de saúde bucal. Segundo policiais, o espaço, vedado por uma porta corta-fogo, era fechado, por fora, com uma tranca.  Na garagem, foram encontradas várias caixas com camisinhas - uma forte evidência do incentivo à prostituição, na visão do promotor. Nos vestiários e banheiros femininos, que contam até com camas de bronzeamento artificial, havia avisos de que certos tipos de roupa não eram permitidos: quem usasse jeans, short, sobretudo, minissaia ou vestido curto, por exemplo, teria de pagar R$ 240 de multa. Quem faltasse ao trabalho teria que pagar R$ 70 por dia. Cada programa saía por R$ 300, em média. Ação Cerca de 60 homens do GOE, em 20 viaturas, chegaram ao local, no número 1.199 da Rua Coronel Diogo, por volta das 21 horas de quinta-feira. Logo que os policiais chegaram, a entrada e a saída foram impedidas. Quem estava saindo do local teve de esperar até que os documentos fossem verificados. No começo da madrugada, várias garotas de programa estavam no bar em frente ao Café Millenium, tomando cerveja. Algumas, com pequenas malas e sacolas, não sabiam para onde ir. Outras esperavam carona de amigos ou iam embora de táxi. A reportagem do JT teve acesso ao interior do Café Millenium e do Gran Classic Hotel. A estrutura impressiona desde a entrada, cujo valor é de R$ 100. Ao chegar de carro, o cliente o deixava com o manobrista e entrava em um elevador que dá acesso à recepção. Na boate, uma parede ao fundo ostenta centenas de garrafas de uísque e vodca numeradas, de freqüentadores. O consumo era registrado eletronicamente, em cartões-comandas. Sofás em veludo e mesas de vidro completam a decoração. No lado oposto ao da parede com as garrafas há um palco, com jogos de luzes. Em várias mesas, revistas pornográficas.  LuxoHá, ainda, piscina, sauna, salão de beleza, loja de roupas e sapatos sensuais e restaurante. Na recepção da boate, outros dois elevadores, diferentes dos da entrada, dão acesso aos quartos do hotel, que se assemelham a de motéis. Alguns têm, inclusive, camas do dobro do tamanho das de casal e banheiras de hidromassagem gigantes. Outros são menores, com cama, TV de plasma e box com três chuveiros. Vários foram remodelados recentemente, pois o prédio está em reforma. Aberturas nas paredes, com mecanismos em ferro, possibilitavam entregar bebidas aos clientes no quarto, sem comprometer a identidade.  Luxuoso por fora, nos bastidores o complexo que une boate e hotel é um verdadeiro labirinto, interligado por inúmeras escadas e passagens, vedadas por portas corta-fogo. "O cliente está no bar, pega o elevador e sobe para o programa. Outras casas como essa estão na mira da polícia, do Ministério Público e da Prefeitura", disse Blat.  Formula 1 Em setembro de 2005, a entrada do Café Millenium foi lacrada com blocos de concreto pela Prefeitura. Naquela época, um dos motivos também foi a falta de alvará de funcionamento. O outro foi a veiculação de outdoors em diversos pontos de São Paulo, com o objetivo de atrair turistas e mecânicos que chegariam à capital por conta da Fórmula 1, marcada para o dia 25 daquele mês. Os 30 anúncios foram retirados. Na época, a Prefeitura afirmou que não tinha controle sobre as imagens, mas que elas infringiam o artigo 234 do Código Penal, que proíbe a produção e aquisição de material obsceno para fins de comércio, distribuição ou exposição pública. A polêmica causada pelos anúncios fez com que o Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar) expedisse uma liminar sugerindo a suspensão da exposição das peças publicitárias. Texto alterado às 12h07 para acréscimo de informações.

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