Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Disputa entre governo e Prefeitura de SP altera projeto de concessão de parques

França diz que plano para Ibirapuera não foi bem discutido; para Covas é ‘muito cedo’ para apontar motivação política na contestação

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

13 Julho 2018 | 19h48
Atualizado 13 Julho 2018 | 23h28

SÃO PAULO - A Prefeitura de São Paulo anunciou nesta sexta-feira, 13, que terá de fazer mudanças na concessão do Parque do Ibirapuera, na zona sul. O governador do Estado, Márcio França (PSB), enviou ofício nesta sexta ao prefeito Bruno Covas (PSDB), solicitando a retirada de uma área de propriedade do governo estadual do projeto, o Autorama, alegando que a ideia não foi bem discutida. O edital de concessão ainda não tem data para sair.

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Segundo Covas, na área do Autorama fica grande parte das vagas de estacionamento do parque, com arrecadação prevista de até R$ 5 milhões por mês em receitas para a empresa que vencesse a concessão. Seria com esses recursos que o concessionário cuidaria de outros cinco parques paulistanos, como previa a proposta original. 

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A ideia é que uma empresa pudesse explorar o Ibirapuera comercialmente, mas sem cobrar entrada, e em troca cuidasse do próprio Ibirapuera e de outros cinco parques. Agora, o futuro gestor terá de manter apenas um espaço, o Lageado, no extremo leste da cidade. 

“Essa decisão do governo do Estado prejudica, em última análise, a população de Pirituba (zona norte), prejudica a população de Campo Limpo (sul), prejudica a população mais periférica, que teria um parque cuidado por um parceiro privado remunerado no Parque do Ibirapuera, que agora não vai ter mais”, afirmou Covas.

Disputa

A concessão já estava suspensa pela Prefeitura desde a semana passada, sem previsão para ser retomada, a pedido das empresas que formulavam as propostas. Covas disse que “a Prefeitura estranha essa posição agora do governo do Estado, em primeiro lugar porque tivemos várias tratativas envolvendo o prefeito João Doria e o governador Geraldo Alckmin (ambos do PSDB, que saíram dos cargos para disputar as eleições)”, de quem ambos eram vices.

Em seu ofício, França disse que o governo “não foi envolvido de forma apropriada na fase de estruturação do projeto” e “não pode correr o risco de ser eventualmente impactado, do ângulo material, econômico ou financeiro”. Haveria ainda outras áreas do Estado no terreno que precisariam ser delimitadas – sem especificar quais. 

Por meio de nota, o governador afirmou ainda que o parque “é o símbolo maior dos paulistanos” e “esse ambiente não combina com interesses privados”. Nesta sexta, ele chegou a fazer uma publicação no Facebook sobre o tema, dizendo, com letras maiúsculas, que havia “suspendido” a concessão e frisando que o parque era “público”. 

A ação de França, que tenta a reeleição, ocorre em meio a atritos entre ele e o PSDB, que trabalha pela candidatura de Doria ao governo estadual. Covas, entretanto, afirmou avaliar que “ainda é muito cedo dizer que o governador resolveu pautar a relação com a Prefeitura pelo calendário eleitoral”.

Ginásio

Covas citou ainda parques estaduais que também têm projetos de concessão à iniciativa privada, como o Campos do Jordão, no interior, e o Ginásio do Ibirapuera. Sobre o último, disse que vai “avaliar para ver se é o caso para gente retomar” o terreno do ginásio, que é da Prefeitura, embora o complexo seja gerenciado pelo Estado. O Palácio dos Bandeirantes não comentou essa proposta. 

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