Prefeitura estuda faixa de carona no Corredor Norte-Sul

Medida beneficiaria taxistas, vans escolares e veículos com mais de dois passageiros; nesta segunda-feira, 9, protesto por alvarás causou 8 km de filas

Luciano Bottini Filho, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2013 | 02h02

O secretário municipal dos Transportes de São Paulo, Jilmar Tatto, disse nesta segunda-feira, 9, que a Prefeitura estuda criar uma faixa exclusiva para taxistas, vans escolares e veículos com mais de dois passageiros no Corredor Norte-Sul. A medida seria uma resposta à reivindicação de taxistas de poderem circular pela faixa de ônibus, o que foi descartado pela secretaria.

Conforme a pasta, "o entendimento é de que a prioridade é para os ônibus" nas faixas exclusivas, pois ficam localizadas à direita, com possibilidade de acesso a garagens e conversões de veículos. Já os taxistas alegam que as faixas dificultam o trabalho. Em contrapartida, a Prefeitura analisa uma nova medida na Avenida 23 de Maio, apelidada de "Faixa Solidária".

Há dois anos, o prefeito Gilberto Kassab já havia pedido uma análise sobre o assunto à Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Uma das ideias era usar as faixas reversíveis em operação na cidade, como as da Radial Leste, da Avenida Luís Dumont Villares e das Pontes dos Remédios e das Bandeiras.

Os primeiros testes de carona solidária em São Paulo ocorreram em 1997 e 1998. Foram adotadas faixas exclusivas para veículos com pelo menos dois passageiros nas Avenidas Radial Leste, Santos Dumont, João Dias e Nações Unidas (na continuação da Marginal do Pinheiros), além da Ponte do Piqueri. O projeto, que incluía aplicação de multas por invasão, chegou a ter 80% de aprovação, mas acabou sendo descartado em 2000.

Nesta segunda, a cidade de São Paulo alcançou a marca de 150 km de faixas exclusivas de ônibus à direita, uma meta de campanha do prefeito Fernando Haddad (PT). Foram instalados 9,9 km de faixas exclusivas em vários pontos da capital. A Prefeitura ainda planeja abrir mais 70 km para restrições, totalizando 220 km até o fim de 2013.

Protesto dos alvarás. Taxistas travaram o Corredor Norte-Sul, na manhã de ontem. Eles protestavam contra medida do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), que mandou abrir licitação para todos os alvarás do serviço. Para o Ministério Público, a venda ou aluguel do documento é ilegal. Com receio de perder o alvará, cerca de 300 motoristas paralisaram a chegada à Avenida 23 de Maio.

O grupo pertence ao Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores das Empresas de Taxi do Município de São Paulo (Simtetaxis), e causou 8 km de congestionamento na região do Aeroporto de Congonhas. A Associação Nacional das Cooperativas enviou nota em apoio ao ato.

Mas a manifestação não ganhou consenso na categoria. O principal sindicato do setor na cidade, o Sinditaxi, que representa os autônomos, não participou. "Nós, taxistas autônomos, fomos surpreendidos com essa medida judicial e estamos recebendo ajuda do prefeito (Fernando Haddad)", diz o presidente da entidade, Natalício Bezerra. Da mesma forma, chegou a circular em rádio de cooperativas que as negociações caberiam à Prefeitura.

De olho na possibilidade de obter alvarás como autônomos, os empregados e prepostos de empresas de taxi tiveram ontem uma reunião com o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto.

Já a Prefeitura diz ainda não ter sido oficialmente notificada sobre a decisão judicial que exige licitação do serviço, mas o Departamento de Transporte Público (DTP), "por cautela", suspendeu pedidos de transferência de alvarás.

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