Prefeitura estuda criar 'segunda faixa' exclusiva na cidade

Proposta foi apresentada por Jilmar Tatto durante reunião de conselho; intenção é criar espaço que receberia também os fretados

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

26 Março 2014 | 16h00

Atualizada às 22h38

SÃO PAULO - Depois da instalação das faixas exclusivas para ônibus, a gestão Fernando Haddad (PT) começa a analisar mais possibilidades para priorizar o transporte coletivo. Nesta quarta-feira, 26, o secretário de Transportes, Jilmar Tatto, defendeu estudos para liberar uma "segunda faixa" para carros com ao menos dois ocupantes, táxis e ônibus fretados. A ideia é implementá-la em avenidas da capital com, no mínimo, três faixas de rolamento.

Nas novas faixas, os coletivos que usam as atuais vias exclusivas também poderiam trafegar, mas apenas para fazer ultrapassagem de outro ônibus.

A ideia foi defendida por Tatto na abertura da sexta reunião do Conselho Municipal de Transportes, que debate as questões de mobilidade da cidade desde os protestos para a redução da tarifa de ônibus, em junho do ano passado. A mesma medida constava de uma apresentação com propostas para o trânsito da Rede Nossa São Paulo, feita nesta quarta pelo engenheiro de tráfego Horácio Augusto Figueira, durante a mesma reunião do conselho.

A segunda faixa também foi chamada de "faixa solidária", ao permitir apenas carros que tenham carona. Por isso, participantes da reunião chamaram a via restante, só com carros ocupados apenas por motoristas, de "faixa solitária". "A determinação do prefeito Fernando Haddad é priorizar o transporte público. É o que estamos fazendo", afirmou Tatto aos conselheiros da pasta.

No entanto, o secretário ressaltou que a proposta é embrionária e ainda precisa ser mais bem estudada, para se avaliar os eventuais benefícios, e também mais discutida com a sociedade. "Ainda precisa de muito debate. E isso só seria tocado depois de uma série de medidas que estamos tomando, como obras pontuais, sinalização de vias, fiscalização dos táxis nos corredores de ônibus", afirmou. Ele destacou que não há prazo para implementar a eventual mudança.

A medida, porém, não é consenso entre os especialistas da área. O urbanista e engenheiro de trânsito Flamínio Fichmann afirma que a proposta "até pode ser positiva". Entretanto, afirmou que duvida do impacto dela para o trânsito de São Paulo como um todo. "Não é uma solução para toda a cidade", disse. "Se você precisa de vias com mais de três faixas, cairia nos grandes corredores. Mas aqueles que têm essa calha para absorver mais essa separação são poucos."

O engenheiro disse que, antes de a Prefeitura implementar "soluções criativas", é preciso que a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) faça o básico, como aumentar o número de agentes e melhorar o parque semafórico. "Se você quer soluções para o trânsito, deve investir no trânsito. Se você quer soluções para o transporte, deve investir no transporte."

A reunião do conselho foi tomada por elogios às faixas exclusivas de ônibus. O engenheiro Figueira disse que, "quando as pessoas reclamam de que as faixas estão vazias enquanto as outras faixas estão cheias, é preciso lembrar que elas foram criadas para ficar livres. Para quando o ônibus passar, não ter ninguém na frente. A faixa, mesmo aparentando estar vazia, transporta mais gente do que a faixas ocupadas pelos carros".

Táxis. O secretário afirmou também que a Prefeitura estuda liberar táxis na faixa exclusiva da Avenida Luiz Dumont Villares, na zona norte.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.