Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Prefeitura estuda acionar a polícia para identificar responsáveis por paralisação

Prefeito vai ao MP e diz que organizadores de ato usaram tática de guerrilha, enquanto secretário de Transportes fala em ‘vandalismo’

Diego Zanchetta, O Estado de S. Paulo

20 Maio 2014 | 20h18

Atualizada às 22h05

SÃO PAULO - O prefeito Fernando Haddad (PT) e a cúpula de Transportes afirmaram nesta terça-feira, 20, que pretendem acionar as Polícias Civil e Federal para tentar identificar os responsáveis pela paralisação de ônibus. Até a participação de empresas será investigada.

"Ontem à noite, eu já havia sido informado pelo secretário (dos Transportes) Jilmar Tatto que o sindicato havia aceito a proposta de negociação. Mas um grupo de poucos, cuja causa não se sabe, agiu de maneira inadmissível", afirmou o prefeito. Ele chegou a dizer que os organizadores do ato usaram "tática de guerrilha".

Secretário de Transportes entre 2003 e 2004, durante a gestão Marta Suplicy (PT), e com bom trânsito tanto entre donos de viações de ônibus como entre sócios de cooperativas de perueiros, Tatto admitiu não ter conseguido identificar os responsáveis pela paralisação.

"Conversei com o Ministério Público e um inquérito será aberto para tentar identificar quem fez isso. Em muitos casos, tiraram as pessoas de dentro dos ônibus e jogaram fora as chaves. Esse tipo de ação tem envolvimento apenas de parte do sindicato", afirmou.

Tatto disse ainda que vai acionar a Polícia Federal e a Polícia Civil para tentar responsabilizar do ponto de vista penal os organizadores da ação. Segundo a Prefeitura, a PF pode ser solicitada neste caso porque a paralisação envolveu serviço público essencial e os atos podem configurar crime contra a organização do trabalho, porque foram feitos à revelia do próprio sindicato e de parte dos trabalhadores. "Não podemos ser surpreendidos de novo."

Sabotagem. O petista também chamou o ato dos condutores e cobradores de "sabotagem" e "vandalismo" e cobrou ação da Polícia Militar para coibir o abandono dos coletivos na rua. Para Tatto, houve "passividade" da corporação. "Um pequeno grupo vai lá e usa o ônibus e o atravessa na avenida. Se a Polícia Militar agisse de pronto, talvez não encorajasse outros grupos a fazerem isso", disse. E cobrou o cumprimento de uma liminar que vetava a paralisação de motoristas.

Em resposta, a assessoria da Secretaria da Segurança informou que a liminar foi suspensa pelo Tribunal de Justiça na sexta-feira. "Além disso, as declarações sobre a ação da polícia estadual em uma greve municipal são um escárnio. Não existe autoridade com maior proximidade com a complexa interação entre os transportes coletivos convencional e alternativo do que o secretário Jilmar Tato. Ele deveria saber que não interessa à opinião pública jogar sobre os cidadãos ou outras esferas de governo uma responsabilidade que lhe é exclusiva."

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