Prefeitura 'empareda' imóveis na cracolândia

Bares, mercearias e pensões são irregulares e precários, de acordo com pasta das Subprefeituras. Moradores contestam

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2012 | 03h05

A Secretaria de Coordenação das Subprefeituras começou ontem a "emparedar" bares, mercearias e pensões na cracolândia, região central, duas semanas após a deflagração da Operação Centro Legal. De acordo com a administração municipal, falta de alvará de funcionamento, desvio de finalidade e precariedade das instalações motivaram a interdição dos estabelecimentos no centro.

Foram alvo da ação 32 comércios. Nem todos terminaram o dia "emparedados" pelos agentes da Prefeitura. A chuva atrapalhou o serviço de 250 homens de dez subprefeituras que participaram da operação com auxílio de 40 caminhões. Eles devem voltar hoje para continuar o serviço nas Ruas Helvétia e Dino Bueno, Alameda Barão de Piracicaba e Largo Coração de Jesus.

Por trás da ação administrativa contra os estabelecimentos interditados está a certeza, por parte do poder público, de que alguns desses locais servia como ponto de tráfico e consumo de drogas. A intervenção dos fiscais também era um pedido dos policiais que atuam na região.

Os moradores contestam a existência de tráfico nos imóveis. "Moram aqui eletricista, caminhoneiro, gente trabalhadora. Para onde eles vão agora? Não podem interditar do nada", disse Jurandir Lopes dos Reis, responsável pela Pensão Nova Esperança.

O estabelecimento também abriga dois beneficiados pelo programa Parceria Social, da Secretaria Municipal de Habitação (Sehab). Reis recebe R$ 300 por abrigado. Ele não entende como seu imóvel é útil para desalojados e irregular para a fiscalização. A Sehab informou que só constata condições de moradia.

Além de negar a venda de drogas, os comerciantes se queixam das acusações de irregularidades. "Eles chegaram às 8h30 falando que iam fechar tudo. Eu tenho licença de funcionamento, alvará na parede. Não deixei, mas acho que eles vão voltar", afirmou Claides de Macedo, de 49 anos, responsável por um hotel na Rua Helvétia.

Irregulares. A Secretaria de Coordenação das Subprefeituras informou, no entanto, que todos os estabelecimentos interditados estavam em situação irregular e foram notificados com antecedência.

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