Prefeitura e Senai pretendem oferecer qualificação a 2 mil moradores de rua

Primeira turma vai formar eletricistas e almoxarifes. Cursos têm duração de 160 horas. Aluno terá direito a refeição, auxílio-transporte e uma bolsa por presença

Tiago Dantas, O Estado de S. Paulo

28 Maio 2013 | 19h57

SÃO PAULO - A Prefeitura firmou uma parceria com o Senai nesta terça-feira, 28, para oferecer cursos profissionalizantes para moradores de rua. As primeiras turmas, para 200 pessoas, receberão formação nas funções de eletricista instalador predial de baixa tensão e almoxarife. Nos próximos dias, começarão as aulas de pedreiro e auxiliar administrativo. O objetivo é oferecer qualificação técnica para 2 mil pessoas em um ano.

Os moradores de rua interessados em aderir ao programa procuram a Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Assistência Social, que faz uma espécie de processo seletivo. Os escolhidos terão que frequentar jornadas de até quatro horas de aulas por dia. Ao fim do primeiro mês de estudos, o aluno recebe um auxílio bolsa-presença de R$ 2 por hora, condicionados à sua frequência. O programa prevê, ainda, uma refeição em cada aula e auxílio-transporte.

Os cursos têm duração de 160 horas. O projeto deve treinar moradores de rua para outras profissões, como cofeccionador de bolsas, mecânico de bicicleta e de motores, padeiro, encanador, pintor, vidraceiro e aplicador de revestimento cerâmico. Além de oferecer uma opção de estudo a uma parcela da população em situação de vulnerabilidade social, o projeto pode ajudar a equilibrar a demanda por serviços manuais que estão em falta na cidade, segundo o prefeito Fernando Haddad (PT).

"Hoje você quer fazer um reparo na sua casa, e é difícil, porque está faltando profissional qualificado", afirmou o prefeito, que lembrou que o acesso à educação é um direito que deve ser resguardado pelo Estado. "Essa instituição (o Senai) formou um presidente da República (Luiz Inácio Lula da Silva). Dessas salas pode surgir um novo presidente ou podem surgir senadores, deputados, líderes comunitários, pessoas que vão ascender socialmente." 

Cerca de 92% dos alunos que se formam no ensino técnico Senai arrumam emprego, segundo estudo encomendado pela própria instituição. "É um índice muito alto de aproveitamento no mercado de trabalho. Esse projeto tem tudo para ser um sucesso e ajudar a melhorar a vida de pessoas em situação de rua por meio da educação e do emprego", afirmou o diretor do Senai, Walter Vicioni Gonçalves.

A parceria entre Prefeitura e Senai foi firmada durante evento no qual a Prefeitura aderiu à Política Nacional para a População em Situação de Rua. O ato dá sequência à política de criação do Comitê PopRua, constituído em 23 de março. 

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