Prefeitura e entidade negam venda de boxe e irregularidades

Entidade diz que secretaria não dá conta de alguns serviços e que crachás são emitidos para ambulantes antigos

O Estado de S.Paulo

29 Novembro 2012 | 02h02

A Secretaria de Coordenação das Subprefeituras afirma que já realizou cadastro de comerciantes da Feira da Madrugada e nega que a administração do espaço tenha vendido qualquer boxe.

De acordo com a pasta, foram encaminhados esclarecimentos sobre o assunto ao Ministério Público e à Polícia Federal. "Sobre a venda de boxes, a pasta esclarece que o Termo de Guarda Provisória repassado pela União à Prefeitura determinava o cadastramento dos ocupantes do local na ocasião da atribuição, sem previsão de instalação de novos boxes", diz nota.

A secretaria afirma que o coordenador da feira, coronel João Roberto da Fonseca, não pode coibir atividades de associações que atuam no local "por causa do direito constitucional".

Associação. Já o presidente da Cofemapp, Manuel Sabino, alega que a responsabilidade pela feira, inclusive a fiscalização de bancas irregulares, é da Prefeitura da capital. Ele nega ganhar qualquer propina para a venda de boxes e autorizações no local.

"A associação nem é reconhecida pela Prefeitura", admite. No entanto, segundo ele, a ação da Cofemapp é tolerada pela Prefeitura, porque a associação "organiza a feira para que não haja confusão". Sabino confirma que a associação pede os R$ 250, mas ressalta que o valor não é obrigatório. De acordo com ele, a Prefeitura não dá conta de fazer alguns serviços, como a limpeza dos banheiros, por exemplo. "Dentro de um ambiente com 5 mil boxes, como a Prefeitura vai suprir todas as necessidades?"

O presidente da associação também nega receber propina para a elaboração de crachás. "Os crachás foram dados àqueles que já trabalham há muito tempo na feirinha", alega. Segundo ele, porém, vários ambulantes ilegais passaram a tirar cópias dos documentos, provocando problemas.

Sobre a ampliação da feira, ele afirma que isso ocorre por causa de várias pessoas que conseguem liminares na Justiça. No entanto, não explica o motivo da construção de várias bancas em áreas onde não havia boxes inicialmente. Ele alega que o problema de haver vários boxes com números duplicados ou triplicados ocorre pela dificuldade de comunicação dos ambulantes estrangeiros. "Como eram muitos chineses e coreanos, falavam o número, a pessoa não entendia, muita coisa foi duplicada."

Sabino afirma que a diretoria da Cofemapp não ganha nada para atuar no local - apenas os funcionários da associação recebem salário. Para ele, o fato de vários comerciantes estarem descontentes e denunciarem a Cofemapp se deve à rivalidade. "A grande questão é que as denúncias são feitas por pessoas que gostariam de estar no nosso lugar", diz. A Polícia Militar não respondeu até a noite de ontem sobre a atuação da Operação Delegada./ A.R. E A.F.

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