Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Prefeitura é contra plebiscito e mantém andamento de projeto de parque no Minhocão

Entrega de trecho inicial estava prevista para 2020; associações de moradores se dividem sobre futuro do Elevado Presidente João Goulart

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2021 | 05h00

Embora a Câmara tenha aprovado uma proposta de plebiscito sobre o futuro do Elevado Presidente João Goulart, que ficaria para 2022, a Prefeitura de São Paulo defende que a melhor alternativa é dar prosseguimento ao Projeto de Intervenção Urbana (PIU) Minhocão, o qual prevê a implantação de um parque no espaço. A entrega do trecho inicial estava prevista para 2020. 

“O destino do Elevado João Goulart vem sendo objeto de discussão desde os anos 70, quando foram iniciadas as rotinas de sua interdição ao tráfego veicular no período noturno”, justifica a gestão Bruno Covas (PSDB). Pelo Plano Diretor atual, que será revisto neste ano, deve-se realizar a gradual restrição do viaduto para o tráfego de veículos até a completa desativação, resultando na demolição ou transformação parcial ou total em parque.

De acordo com o Município, o PIU está na segunda fase, sendo a próxima a de apresentação da proposta consolidada e da minuta de peça jurídica de regulação. Um novo prazo para definição não foi informado. 

“A gestão defende que a melhor forma de aprofundar os estudos técnicos e de qualificar o debate com a população diretamente afetada, e também de toda a cidade, para ao fim definir a melhor solução para o Minhocão, é através da continuidade do PIU. Dessa forma, o plebiscito não aparenta ser o instrumento consultivo mais adequado para avançar sobre questões urbanas complexas como esta”, pontua a prefeitura. Em paralelo, a implantação de oito acessos verticais de pedestres passou por licitação e tem previsão de conclusão para o primeiro semestre deste ano. 

As duas principais associações que defendem a desativação do viaduto também são contrários ao plebiscito. Uma delas é o Desmonte Minhocão, que reivindica o fim do viaduto, com a desmontagem da estrutura atual.

“Ele é uma violação da privacidade, causador de poluição sonora e visual. Só traz problemas e gastos para a prefeitura”, argumenta Francisco Machado, um dos diretores do Desmonte Minhocão e presidente do Conseg Santa Cecília. 

Machado chama a construção de uma “praga” e garante que a desmontagem é viável e se pagaria com a venda das vigas. Cita como exemplo positivo o desmonte e a demolição do Viaduto da Perimetral, no Rio, e diz não confiar em uma zeladoria adequada no espaço caso fosse transformado em parque. “Se não cuidam do que já tem. Por que gastar milhões para fazer um botox em um cadáver?”

Já Felipe Morozini, presidente da associação Parque Minhocão, defende que a prefeitura deveria aproveitar a redução do trânsito na pandemia para restringi-lo no local em um teste de um mês. “É só fechar o parque para carros, não precisa de muita coisa”, destaca ele, que reivindica também melhores condições de segurança, a instalação de mobiliário, como arquibancada, e a restrição de circulação nas vias abaixo do elevado para ônibus menos poluentes.

Para ele, o número de frequentadores tanto nas noites quanto nos fins de semana já evidenciam que a transformação em parque é a melhor alternativa. “A população ocupou de forma espontânea, como espaço de lazer e esporte. Os moradores precisam desse lugar, que já é o mais poluído, barulhento da cidade”, alega.

“Quero esse parque por inteiro. Não aceito um parque bonito em cima e embaixo do mesmo jeito. É preciso olhar para a população local. Foi ela que ressignificou o local. Os espaços numa cidade normal se ressignificam após uma requalificação, o Minhocão não teve nada.”

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