Prefeitura desiste de vez de vender quarteirão no Itaim

Em despacho publicado ontem no Diário Oficial, administração revoga autorização para construtora fazer prédios

NATALY COSTA , RODRIGO BURGARELLI, O Estado de S.Paulo

18 Julho 2012 | 03h03

A Prefeitura engavetou de vez o projeto de construir quatro torres de 25 andares no terreno de 20 mil m² no Itaim-Bibi que abriga oito equipamentos públicos. Em despacho publicado ontem no Diário Oficial da Cidade, a administração revoga a autorização para a construtora JHSF seguir adiante com o plano. A ideia era trocar o terreno por creches.

Se fossem concluídos, os estudos preliminares para o quarteirão do Itaim - que envolviam projetos básico e executivo e estudo de viabilidade - custariam R$ 4 milhões e teriam de ser entregues até dezembro. Até ontem, a JHSF só havia apresentado uma maquete, na qual previa a construção de quatro prédios residenciais e um parque no local. Todos os equipamentos públicos - incluindo teatro, creche, escola e unidade de saúde - ficariam em apenas um deles. Os outros 3 seriam residenciais e vendidos pela construtora.

A administração não chegou a desembolsar nada pelo projeto - o combinado era só pagar à JHSF quando fosse liberada a construção do Complexo Horácio Lafer, como a Prefeitura estava chamando a empreitada. Para moradores do Itaim e defensores do terreno, aquele é o Quarteirão da Cultura. Desde o ano passado, está protegido por um processo de tombamento aberto pelo Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio (Condephaat), que "congela" o local.

Procurada, a JHSF não se manifestou. Mas a Prefeitura afirmou que a construtora não entregou os estudos preliminares no prazo "nem solicitou novo prazo em virtude do processo de tombamento da área".

O Estado apurou que, ainda que não definitivo, o "congelamento" do terreno pelo Condephaat frustrou as expectativas da JHSF em relação à área, uma das mais valorizadas da cidade. O m² mais caro vendido na capital no ano passado (cerca de R$ 18 mil) foi de um empreendimento da mesma incorporadora, lançado a poucos metros do quarteirão, delimitado pelas Ruas Horácio Lafer, Salvador Cardoso, Cojuba e Lopes Neto.

Fim da gestão. A venda de terrenos em áreas nobres em troca de creches na periferia era a principal aposta da gestão Gilberto Kassab (PSD) para cumprir promessa eleitoral de zerar o déficit no ensino infantil.

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