Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Prefeitura descarta fechar vias expressas das Marginais

Ideia havia sido apresentada nesta manhã pelo secretário de Transportes; Fernando Haddad (PT) afirmou desconhecer plano

Juliana Diógenes e Rafael Italiani, O Estado de São Paulo

30 Julho 2015 | 17h42

Atualizado às 22h34

Sete horas depois de o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, dizer que estudava fechar as pistas expressas das Marginais durante as madrugadas, o prefeito Fernando Haddad (PT) – que não sabia da proposta – derrubou o plano que deveria ser executado ainda este ano. O secretário havia dito que a medida era de segurança e que as faixas não tinham “demanda” no horário.

Na manhã desta quinta-feira, 30, o secretário disse que a intenção do bloqueio era reduzir os acidentes entre meia-noite e 5 horas, período em que a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) fecharia os acessos às pistas expressas com cancelas semelhantes às usadas pela empresa no Elevado Costa e Silva.

“Ajuda na segurança, porque é o momento em que os motoristas, principalmente de caminhões, usam para correr muito, causando acidentes”, explicou. No mesmo horário da entrevista de Tatto, Haddad estava em uma agenda pública em São Miguel Paulista, na zona leste.

Lá, o prefeito demonstrou surpresa ao ser questionado pelo Estado sobre o fechamento das pistas. “Ele (Tatto) falou que está em elaboração? Não chegou ao meu conhecimento. Estou sabendo por você”, respondeu Haddad. Antes de o prefeito conceder entrevista, a reportagem voltou a falar com o secretário por telefone, que deu detalhes sobre o projeto-piloto da CET.

Tatto afirmou que os testes haviam sido realizados durante três madrugadas e que a ideia seria colocada em prática se “não causasse transtornos” e aumentasse a segurança no trânsito. Os exames foram feitos antes da adoção das novas velocidades nas Marginais.

Durante a tarde, Haddad entrou em contato com Tatto e solicitou os estudos, que agora estão sob análise do gabinete. Às 17h10, a CET e a Secretaria Municipal de Transportes, por meio de nota, esclareceram que a Prefeitura “está concentrada, exclusivamente, no monitoramento dessas novas velocidades e estão descartados futuros fechamentos”. Na Prefeitura de São Paulo, a decisão de Haddad, que barrou a medida anunciada por Tatto, foi considerado um “acerto de timing”.

No início da noite, Tatto encaminhou uma nota à imprensa: “Reconsidero a declaração”. Segundo ele, em função das novas velocidades nas Marginais e do acompanhamento da CET, “não haverá nenhum tipo de operação com intuito de fechar trechos das pistas expressas durante a madrugada”.

Choque. O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de São Paulo (Setcesp), Manoel Sousa Lima Júnior, espantou-se com a notícia. “Eu acho uma decisão equivocada. Acabamos de fazer os testes das entregas noturnas e na medida em que se faz esse fechamento vai diminuir a eficiência.”

O engenheiro e mestre em Transportes pela Universidade de São Paulo (USP) Sérgio Ejzenberg sugeriu que Haddad centralize a discussão pública na resolução de problemas de mobilidade, como corredores de ônibus. “Nada tem sido feito para resolver a mobilidade de quem está gastando um tempo desumano para ir e voltar do trabalho. O resto é circo. Temos andado de factoide em factoide. Qual será o próximo?” /COLABOROU BRUNO RIBEIRO

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