Prefeitura de São Paulo demite 2 por ligação com Máfia do ISS

Fabio Remesso, um dos servidores, trabalhava com Ronilson Rodrigues, líder do esquema

Bruno Ribeiro e Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

16 Junho 2015 | 14h47

Atualizada às 20h45

A Prefeitura de São Paulo publicou na edição desta terça-feira, 16, do Diário Oficial da Cidade a demissão de mais duas pessoas relacionadas à Máfia do Imposto sobre Serviços (ISS), grupo suspeito de ter facilitado a sonegação de R$ 500 milhões da Prefeitura entre 2009 e 2012. 

O primeiro é Aloísio Ferraz de Camargo, lotado na Secretaria Municipal de Finanças. Trata-se do primeiro servidor da Prefeitura que é demitido por ligação com a máfia que não trabalhava diretamente no setor de fiscalização do ISS. Ele era lotado no setor de fiscalização do Imposto Territorial e Predial Urbano (IPTU).

Segundo as investigações, é um dos fiscais apelidados pelos integrantes do esquema de “colegas”: auditores que levavam empresas até a máfia para intermediar o esquema de sonegação. Em troca, os “colegas” ficavam com cerca de 15% do valor das propinas. Camargo é acusado de intermediar negociações com uma construtora. 

Já Fabio Camargo Remesso, o segundo demitido ontem, era fiscal do setor de ISS e havia sido indiciado ainda em 2013. Ele é tido pelo Ministério Público Estadual (MPE) como uma das cinco pessoas que cooperavam diretamente com Ronilson Bezerra Rodrigues, apontado como líder do esquema. Chegou a ser chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Assistência Social na gestão de Luciana Temer (PMDB). Seu irmão, Rodrigo, também já foi denunciado por lavagem de dinheiro.

A reportagem tentou nesta quarta, sem sucesso, contato com os advogados Hermenegildo Cossi Neto e Celso Carlos Fernandes, que defendem, respectivamente, Camargo e Remesso. 

Controladoria. A Controladoria-Geral do Município, órgão criado na gestão Fernando Haddad (PT), que descobriu a máfia, divulgou também um balanço de suas atuações ontem. Em dois anos, o órgão conseguiu reembolsar mais de R$ 90 milhões de recursos desviados de sonegadores que fraudavam dados de arrecadação.

Outros R$ 180 milhões ainda devem ser recuperados, segundo a Prefeitura, até o fim de maio - R$ 34 milhões dessa quantia se referem a recursos desviados pela Máfia do Imposto sobre Serviços.

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