Evelson de Freitas/Estadão
Evelson de Freitas/Estadão

Prefeitura de SP tomba bibliotecas, escolas e três obras de Hans Broos

Instituições educacionais foram erguidas entre os anos 40 e 60; já projetos do arquiteto modernista contemplam uma abadia, uma casa e uma igreja

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2019 | 10h14

SÃO PAULO - A Prefeitura de São Paulo homologou nesta quarta-feira, 10, o tombamento de três escolas e duas bibliotecas públicas da capital paulista. As instituições foram erguidas entre os anos 40 e 60. A gestão municipal também oficializou, em março, a preservação de três projetos do arquiteto modernista Hans Broos.

Os tombamentos foram aprovados, por unanimidade, durante reunião do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) em março de 2018. No caso das escolas e bibliotecas, não há área envoltória.

A decisão abarca as seguintes instituições educacionais: Escola Estadual Pandiá Calógeras e Biblioteca Pública Municipal Adelpha Figueiredo, ambas na Mooca, zona leste; Escola Estadual Brasílio Machado, na Vila Mariana, zona sul; Escola Municipal de Educação Bilíngue para Surdos Helen Keller, na Sé, região central; e Biblioteca Pública Municipal Roberto Santos (antiga Biblioteca Ministro Genésio de Almeida Moura), no Ipiranga, zona sul.

Os processos de tombamento das escolas e bibliotecas foram abertos em 2004 e 2015, após serem indicados como Zonas Especiais de Preservação Cultural (Zepec) durante discussões de zoneamento

O projeto das escolas é inspirado no trabalho do educador Anísio Teixeira. "Considerando o valor arquitetônico individual das escolas e bibliotecas aqui estudadas como representações dessa importante produção arquitetônica no contexto do ensino público na cidade de São Paulo, cuja concepção formal explora o repertório da arquitetura moderna brasileira", diz a resolução de tombamento.

O tombamento protege as características externas e internas dos imóveis, incluindo jardins, quadras e áreas de recreação. Com a decisão, obras de reforma e restauro precisarão passar por prévia autorização do Conpresp.

Obras de Hans Broos também são reconhecidas pelo Conpresp

A gestão municipal também homologou o tombamento de três projetos do arquiteto Hans Broos no dia 29 de março. A decisão recai sobre a Igreja de São Bonifácio, na Vila Mariana, zona sul, a casa-escritório do arquiteto, na Fazenda Morumbi, zona sul, e a Abadia de Santa Maria, no Tucuruvi, zona norte.

O tombamento foi decidido em reunião do Conpresp em março do ano passado, durante uma maratona de reuniões em que foram tombados ao menos 71 imóveis modernistas. Na ocasião, os conselheiros entenderam que a casa sintetiza a "linguagem de projeto do arquiteto" dessa época, enquanto a igreja e a abadia representam a "modernização" da arquitetura religiosa.

As obras foram construídas nas décadas de 60 e 70. Morto em 2011, o arquiteto nasceu na Áustria, mas residiu grande parte da vida no Brasil. 

A resolução de tombamento ressalta o "reconhecimento acadêmico e historiográfico" dos três projetos. A casa-escritório ainda tem painéis escultóricos e paisagismo de Roberto Burle Marx, que também criou um painel para a abadia. No caso da igreja, Broos fez parceria com o artista plástico Claudio Pastro, responsável pelas pinturas das paredes.

Fundada em 1911 e na sede atual desde 1974, a abadia foi a primeira organização feminina ligada à ordem de São Bento no continente americano. Já a Igreja de São Bonifácio é reconhecida por ser um centro paroquial católico da comunidade alemã de São Paulo. 

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