Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Prefeitura de SP propõe novo carnaval de rua em julho, mas blocos ainda devem sair neste feriado

Batizado 'Esquenta de Carnaval', evento seria no fim de semana dos dias 16 e 17 de julho. Folia de rua vive impasse após restrições para desfiles durante o feriado de Tiradentes

Ítalo Lo Re e João Ker, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2022 | 14h15
Atualizado 20 de abril de 2022 | 18h11

A Prefeitura de São Paulo anunciou nesta quarta-feira, 20, a intenção de realizar uma edição extra do carnaval de rua, prevista para o fim de semana dos dias 16 e 17 de julho deste ano. Apesar da proposta, os blocos de rua ainda não deram certeza se irão aderir ao evento, batizado "Esquenta de Carnaval", e alguns mantêm a intenção de desfilar durante o feriado prolongado de Tiradentes, a partir desta quinta-feira, 21.

A saída dos blocos neste feriado tem sido motivo de atrito entre os grupos que representam o carnaval de rua e a Prefeitura nas últimas semanas. De um lado, os produtores reclamam da falta de apoio da administração municipal; a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), por sua vez, alega que não teve tempo hábil para fornecer infraestrutura, logística de trânsito, segurança ou alvarás.

"Minimamente, o que a gente pede, é que não tenha transtorno depois de limpeza nas vias", afirmou Aline Torres, secretária municipal de Cultura, sobre a decisão dos blocos de saírem neste feriado. Segundo ela, haverá um trabalho conjunto com a Secretaria de Subprefeituras para que seja feita a coleta do lixo após os desfiles dos próximos dias. "O que nos foi passado é que não há bloco em regiões centrais de tráfego. São pequenos e periféricos, em locais de bairro, e que não existe essa necessidade (de fechar vias). Vamos ver isso de fato quando acontecer."

Aline também negou que a Secretaria de Segurança Pública estivesse orientada ou autorizada a reprimir os blocos que decidirem desfilar. "Não existe, na gestão do prefeito Ricardo Nunes, nem em sonho, a possibilidade de alguma atividade reaça, truculência com qualquer manifestação cultural ou artística. Não é o perfil do prefeito e nem dos secretários da pasta." 

Logo após a reunião, o grupo que representa cerca de 50 pequenos blocos – grande parte daqueles que irão às ruas nos próximos dias – lamentou que o diálogo com a Prefeitura tenha ocorrido apenas às vésperas do feriado. "A gente já está faz algumas semanas nessas tratativas com a Secretaria de Cultura, e ela podia ter dado essa orientação antes", disse Lira Alli, que representa a iniciativa Arrastão dos Blocos. Para planejar a limpeza após os desfiles, a Prefeitura indicou que os produtores procurem as Subprefeituras para passar informações sobre os blocos.

"A gente vai seguir as orientações dentro do possível, cada bloco com a sua perspectiva, mas esses bloquinhos que estão organizados para desfilar nos próximos dias vão realizar seus desfiles", explicou Lira. O pronunciamento, que se deu em um prédio no Centro Histórico de São Paulo, nas proximidades da Prefeitura, contou com a presença da vereadora Luana Alves (PSOL).

Conforme os representantes de alguns dos blocos, como o Vai Quem Qué e o Fuá, os grupos que irão às ruas serão pequenos e sairão às ruas em todas as regiões da cidade. A expectativa é que cada desfile conte com, no máximo, 500 foliões. A ideia de parte dos organizadores é não divulgar os itinerários com antecedência para não causar superlotação, o que, caso ocorresse, faria os blocos cancelarem os desfiles como medida emergencial.

O grupo afirmou que, como não houve um consenso sobre o carnaval, a Prefeitura teria jogado nos blocos a responsabilidade de cuidar da infraestrutura dos desfiles deste final de semana. Com isso, apesar de discordarem da situação, alguns deles têm se organizado para fazer acordos com comerciantes locais para venda de bebidas e utilização de banheiros.

Sobre a proposta para fazer o carnaval em julho, os representantes dos blocos disseram que ainda é cedo para dizer se vão aderir. Eles argumentaram que isso irá depender das condições colocadas pela Prefeitura. "Essa data ainda vai ser ratificada ou não pelos blocos, isso ainda está em processo de construção", disse Lira. 

Para organizar os desfiles de julho, a Secretaria de Cultura informou que irá divulgar um formulário específico. "Os interessados em sair nestas datas deverão preencher um formulário, que será disponibilizado em breve no site da SMC (Secretaria Municipal de Cultura), para cadastro dos blocos e organização do Esquenta", informou em nota a Prefeitura. 

A pasta acrescentou que na reunião realizada nesta quarta também ficou definida a criação de um comitê permanente de blocos de carnaval para aprimorar o diálogo entre a sociedade civil e a Prefeitura. 

Em nota, o Metrô de São Paulo informou que vai monitorar o sistema de forma contínua e, caso verifique aumento repentino da demanda, serão colocados mais trens para circular pela cidade. O horário de funcionamento permanecerá o mesmo: de 4h40 até meia-noite.

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