Werther Santana/AE
Werther Santana/AE

Prefeitura de SP prepara programa para proteger os ciclistas

No ano passado, foram registradas 49 mortes de pessoas em bicicletas em SP, mesmo número de 2010

CAIO DO VALLE, Jornal da Tarde

02 Abril 2012 | 08h33

A Prefeitura de São Paulo vai lançar uma ofensiva voltada à segurança dos ciclistas. A intenção é diminuir os riscos de quem anda de bicicleta nas ruas da cidade. Estatísticas da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) obtidas pelo Jornal da Tarde mostram que o número de pessoas em bikes que morreram em São Paulo não diminuiu. No ano passado, foram registrados 49 casos, a mesma quantidade de 2010.

O pacote, uma espécie de programa de proteção aos ciclistas, se baseia em duas vertentes: fiscalização e educação. A primeira delas será colocada em prática no fim de abril. É quando os primeiros marronzinhos da CET começarão a fiscalizar o trânsito nas ruas da capital usando bicicletas. A ação ocorrerá em Moema, na zona sul. Esses agentes estarão aptos a multar veículos que desrespeitarem os ciclistas.

Outra iniciativa, prevista para o meio do ano, é mais ambiciosa: criar uma escolinha de formação de ciclistas urbanos. Ela funcionará no Centro de Treinamento e Educação de Trânsito da CET, na Barra Funda, zona oeste, e terá a função de capacitar qualquer pessoa para pedalar nas vias paulistanas. Uma pista, com rampa e circuitos fechados, será construída no local. É ali que acontecerão as aulas práticas, com simulações.

Quem explica é Nancy Schneider, superintendente de segurança de trânsito da CET. "Haverá até trechos de ciclovias e ciclorrotas."

Segundo ela, o objetivo do curso, que será ministrado em um só dia, não é ensinar as pessoas a andarem de bicicleta, mas fazer com que os ciclistas tenham noções do Código de Trânsito Brasileiro, aprendam a lidar com riscos e entendam como cuidar da bike.

Dicas de postura também serão ensinadas pelos educadores da CET, que podem contar com o auxílio de ativistas de ONGs. "Vamos falar, principalmente, do compartilhamento da via com outros veículos", afirma Nancy.

Para se inscrever nas aulas, gratuitas, o interessado não precisará ter bicicleta própria. Uma frota de magrelas da empresa estará à disposição dos participantes. Cada turma será composta por cerca de 15 pessoas. A gestora diz ainda que o projeto da pista e a estruturação da grade do curso vêm sendo debatidos entre os técnicos. As atividades devem começar no início do segundo semestre deste ano.

Ônibus. Motoristas de ônibus da frota gerenciada pela São Paulo Transporte (SPTrans) ganharão um curso especial para lidar com as bicicletas. A ação será desenvolvida nas garagens das empresas. O cicloativista André Pasqualini, que está auxiliando a CET a desenvolver essa atividade, diz que os condutores dos coletivos poderão até andar de bicicleta. "O formato ainda está sendo definido, mas estamos pensando em fazer alguma coisa lúdica. Queremos introduzir a cultura da bicicleta nas garagens."

Em 2009 um curso já havia sido ministrado aos motoristas de ônibus. Agora, haverá um de "reciclagem". Neste mês, um encontro com representantes das garagens e a CET definirá como ele será feito. Em 2010, houve oito acidentes fatais envolvendo ônibus e bikes.

Ciclistas ouvidos pela reportagem se dividem a respeito da eficácia dessa medida. "Acho que seria uma boa ideia andarem de bike", diz a universitária Joana Moraes, de 24 anos. "É inócuo. Depois de três meses terão esquecido", avalia o servidor Vitor Hugo Amazonas, de 36, que pedala na Paulista.

Os motoristas de ônibus apoiam a iniciativa. "Mas também existem ciclistas meio desligados, que andam de fone de ouvido e não escutam a buzina", diz Ademir do Santos, de 38 anos. Para Adailton de Sousa, de 39, o respeito deve existir nos dois lados.

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