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Prefeitura instala chip em bueiros para ajudar na prevenção de enchentes em São Paulo

Gestão Fernando Haddad espera chuvas acima da média e ventos fortes neste verão, e não descarta novos problemas com queda de árvores e alagamentos na cidade

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

07 de dezembro de 2015 | 17h46

SÃO PAULO - Alvo de críticas todo verão por causa das enchentes, a Prefeitura de São Paulo instalou sensores em cerca de mil bueiros para ajudar na prevenção a alagamentos na capital paulista nesta temporada de chuvas. Na prática, o chip avisa se há alguma obstrução para a passagem de água pluvial no local. A informação é recebida por uma central de monitoramento, que envia equipe de limpeza ao equipamento. 

A medida é uma das ações previstas na “Operação Chuvas de Verão” anunciada nesta segunda-feira, 7, pela gestão Fernando Haddad (PT). Os sensores foram instalados nas regiões mais suscetíveis a enchentes na cidade, que possui mais de 420 mil bueiros. Segundo a Prefeitura, foram identificados 287 pontos de alagamentos, onde ficam cerca de 7.400 bocas de lobo. Destas, 70% devem ser avaliadas semanalmente durante a operação, que vai de dezembro deste ano a abril de 2016. 

Por causa do fenômeno El Niño de intensidade moderada a forte, o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da Prefeitura trabalha com a perspectiva de chuvas acima da média histórica até abril de 2016, temperaturas elevadas e ventos fortes. Para a vice-prefeita Nádia Campeão, esse cenário deve provocar novos alagamentos e quedas de árvore, o problema mais grave do verão passado, quando mais de 1.700 árvores caíram na cidade. 

“Se tivermos chuva com vento forte, vai voltar a cair árvore na cidade. O ano [verão] passado foi surpreendente. Este ano estamos mais preparados e fizemos um trabalho preventivo para diminuir o prejuízo à população”, disse. Segundo ela, a Prefeitura realizou 109.346 podas neste ano, 14% a mais do que em 2014, e removeu 15.883 exemplares, número 21% maior do que no ano passado. Ao todo, a capital tem 650 mil exemplares cadastrados apenas no viário, sem contar praças e parques.     

Nádia destacou ainda que a Prefeitura está investindo na atual gestão R$ 4,8 bilhões em 13 obras de drenagem espalhadas pela cidade, das quais apenas três estão em andamento e devem surtir efeito já neste verão. São elas: Córrego Ponte Baixa, na região da Avenida Guido Caloi (zona sul); Córrego Cordeiro (1ª fase), na região da Avenida Professor Vicente Rao (zona sul); e Córrego Sumaré/Água Preta, na região da Rua Turiassu e Avenida Francisco Matarazzo (zona oeste).

Pantanal. Segundo a vice-prefeita, chuvas intensas também devem provocar mais uma vez alagamentos na região do Jardim Romano, também conhecido como Jardim Pantanal, na região do Itaim Paulista, extremo da zona leste da capital. Isso porque, afirma, o governo Geraldo Alckmin (PSDB) não fez as obras necessárias para evitar a enchente. O problema ganhou evidência em 2009, quando o bairro passou dois meses alagado. Desde então, o drama das famílias da região têm se repetido quase todo verão, como o passado. 

"Se nós tivermos chuvas inentsas naquela região, pode acontecer novamente uma situação de atingir a população do Itaim. Ocorrer o que aconteceu no ano passado. Esperamos que não, mas a obra necessária para resolver efetivamente o problema lá é a construção de um novo pôlder [área protegida por dique]. Isso já está tecnicamente constatado. Essa obra é de responsabilidade do DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica), do governo estadual", diz Nádia.

Em nota, o DAEE informou que a construção do pôlder é uma iniciativa conjunta de Estado e Prefeitura para "retirar centenas de famílias que ocupam indevidamente as várzeas do Tietê naquele bairro e controlar enchentes na região". Segundo o órgão estadual, o pôlder não pode ser construído enquando a Prefeitura não reassentar as famílias que moram na região. 

"O Decreto de Utilidade Pública para fins de desapropriação da área já foi publicado. No total são 96 imóveis, com 333,5 mil metros quadrados. Assim que obtiver o documento de emissão de posse dos terrenos, o DAEE iniciará a licitação para contratação das obras de construção do polder", afirma. "Em paralelo a isso, a Prefeitura Municipal deve iniciar o processo de reassentamento das famílias que ocupam a área onde será construído o dique do pôlder, conforme previsto no convênio assinado em março para a realização desta obra", completa.


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